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Web Rádio "SAUDADE SERTANEJA, transmitindo de Bauru/SP, Sob Direção Geral de Tião Camargo

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Clube da Viola no Festival Carreirinho

O Clube da Viola de Bauru participará neste final de semana, sábado e domingo, do Festival Carreirinho na Cidade de Bofete com as participações de Tião Camargo e Jota Camargo como membros da Comissão Julgadora e a dupla Carreteiro e Carreirense se apresentando entre os 35 concorrentes do Festival.

Carreteiro e Carreirense

Estaremos representado a Prefeitura Municipal de Bauru e o Ministério da Cultura através do “Ponto de Cultura”.

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O Festival acontece durante as festividades de aniversário de Bofete e homenageia e inaugura o Museu Carreirinho “Adalto Ezequiel” um dos maiores nomes dentro da história da Música Caipira, nascido na Cidade em 15 de outubro de 1921 e falecido em São Paulo em 27 de março de 2009.

Carreirinho formou ao lado de Lúcio Rodrigues de Souza, o Zé Carreiro, nascido em 1923 na Cidade de Santa Rita do Passa Quatro e falecido em São Paulo em 21 de maio de 1970, uma das maiores duplas sertanejas de todos os tempo, a dupla Zé Carreiro e carreirinho. Na minha modesta opinião, como admirador e pesquisador, a dupla Zé carreiro e Carreirinho foi a melhor dupla dos 50. O Zé Carreiro morreu em 1970, mas teve que abandonar a carreira artística em 1960 por problemas nas cordas vocais. Portanto, a dupla durou apenas 10 anos.

dupla

Biografia completa AQUI no blog, num belo trabalho da nossa parceira Sandra Cristina do site Recanto Caipira.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Ana Rosa - Memórias Botucatuense

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Foto: Tião Camargo
História de Ana Rosa

Ana Rosa

Carreirinho e Tião Carreiro

Ana Rosa casou com Chicuta uma caipira bastante atrasado
Levava a vida de carreiro fazendo transporte era o seu ordenado
Tinha um ciúme doentio pela moça que dava pena do coitado
Batia na pobre mulher com a vara de ferrão de bater no gado, ai.

Resolveu abandonar o marido porque a vida já não resistia
Quando chegou em Botucatu aquela cidade toda dormia
Só encontrou uma porta aberta mas ali não entrava família
Resolveu contar sua história e se abrigar até no outro dia.

O Chicuta quando chegou em casa Ana Rosa não encontrou
Ele arreou sua besta e como uma fera a galope tocou
Na chegada de Botucatu pra um caboclo ele perguntou
Seu moço essa mulher lá nas fortunata vi quando ela entrou, ai.

Num barzinho ali da saída sem destino resolveu chegar
Encontrou com um tal Menegildo e com o Costinha pegou conversar
Vocês querem pegar uma empreitada só se for pra não trabalhar
Pra matar a minha mulher minha proposta vai lhe agradar, ai.

O Costinha montou a cavalo e tocou lá pra fortunata
Conversando com Ana Rosa disse que era um tropeiro da zona da mata
Meu patrão lhe mandou uma proposta diz que leva e nunca lhe maltrata
Seu marido anda a sua procura jurou que encontrando ele te mata.

Ana rosa montou na garupa e o cavalo saiu galopeando
Quando chegou no lava-pé aonde os bandidos já estavam esperando
Quando ela avistou seu marido para todo santo foi chamando
Vou perder minha vida inocente partirei com Deus deste mundo tirano, ai.

Derrubaram ela da garupa já fazendo cruel judiação
Foi cortando ela aos pedaços uma preta assistindo a cruel judiação
Foi correr dar parte a autoridade já fizeram imediata prisão
Hoje lá construíram uma igreja tem feito milagre pra muitos cristãos, ai

Ana Rosa com Tião carreiro e Pardinho

Postagem sugerida pelo meu amigo violeiro Ramiro Viola de Botucatu

Mais sobre Ana Rosa…

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Semifinal do Festival Carreirinho

Duplas classificadas para a semifinal do Festival Carreiro de Bofete dia 21/04/2012

Ordem alfabética:

01 Adriano e Raphael
Bofete (SP)

02 Andrei e Anselmo
Araricá (RS)

03 Angelo e Léo
Mococa (SP)

04 Billy & Benne
Botucatu (SP)

05 Bruno Viola e J. Silva
Itapeva (SP)

06 Campo Silva e Centenário
Osasco (SP)

07 Carlos Leite e Daniel
Poços de Calda (MG)

08 Carlos Novaes & Celina Paixão
São Caetano do Sul (SP)

09 Carreteiro e Carrerense
Bauru (SP)

10 Cassiano e Diquinho
Cássia (MG)

11 Celio e Nando
Jaú (SP)

12 Cravo Chita e Flor da Mata
Sorocaba (SP)

13 Denis e Danilo
Ilha Solteira (SP)

14 Eraldo Santana & Marcelo Violeiro
Capão Bonito (SP)

15 Horácio & Zé Mineiro
Pardinho (SP)

16 Irmãos Caipira
Cabrália Paulista (SP)

17 Isac e Isaias
Osasco (SP)

18 João Lucas e Brunno
Pirassununga (SP)

19 João Moreno & Silvinho
Pindamonhagaba (SP)

20 João Pedro e Adriano
São José do Rio Preto (SP)

21 João Roberto e Claudinho
Agudos (SP)

22 Julio Cesar e Geovane
Itapeva (SP)

23 Léo Mineiro & Júnior Goiano
Itumbiara (GO)

24 Loirinho e Rey Duvalle
Guarulhos (SP)

25 Mauricio e Maria Helena
Torrinha (SP)

26 Michelle & Karoline
Botucatu (SP)

27 Paraná & Piazinho
Pouso Alegre (MG)

28 Paulo Sousa e Beto Maia
Elói Mendes (MG)

29 Roberto Lima e Antonio Luiz
Bofete (SP)

30 Siqueira & Florestal
Itumbiara (GO)

31 Tiago Violeiro e Diamantino
Votorantim (SP)

32 Valmir e Vilmar
São Carlos (SP)

33 Zé Martins e Bene
Itapetininga (SP)

34 Ze Moreno & Renato
Araras (SP)

35 Zé Murilo e Cid Martins
Indaiatuba (SP)

Piraci

Piraci (Miguel Lopes Rodrigues)
piraci MIGUEL LOPES RODRIGUES
* Piracicaba, São Paulo, 1917 - † Caieiras, São Paulo, 1974

Filho de Francisco Lopes Rodrigues e de Encarnación Puga Rodrigues, o compositor Miguel Lopes Rodrigues, caboclo dos Marins, bairro da cidade paulista de Piracicaba, iniciou sua carreira artística em 1937, quando formou com o irmão Santiago Lopes sua primeira dupla sertaneja, os Irmãos Piracicabanos.

Durante os quatro anos em que Miguel e Santiago trabalharam juntos a dupla se apresentou em inúmeros shows, que incluíam 'causos', humorismo e alguma música caipira. Por sugestão de Oduvaldo Viana, Miguel associou-se então a Palmeira, fazendo surgir em 1941, na Rádio Difusora de São Paulo, a dupla caipira mais importante da década seguinte: Palmeira e Piracicabano, que em 2002 completou 60 anos de criação.

Com o imediato sucesso que obteve em todo o interior e na capital do Estadode São Paulo, por influência de Serrinha (Antenor Serra) e do Capitão Furtado, a nova dupla partiu para o Rio de Janeiro para gravar seu primeiro disco. Seu primeiro LP - composto por dez faixas musicais, entre as quais Mulheres Célebres (Capitão Furtado e ítalo Izzo) e Carro de Boi (Capitão Furtado e Orlando Puzone) gravado na RCA Victor - alcançou grande repercussão em todo o Brasil. No lastro de seu amplo sucesso nacional, Palmeira e Piracicabano foram então contratados pelas casas de espetáculo de maior prestígio daquele momento, a Rádio Nacional e o Cassino da Urca, no Rio de Janeiro, que viviam seu período áureo.

Foi por aquela época que Miguel Lopes Rodrigues, aceitando sugestão do padrinho e amigo Zé da Zilda, abreviou seu pseudônimo para Piraci e a dupla passou a gravar com o nome artístico de Palmeira e Piraci.

Palmeira e PiraciEm 1944, retornando a São Paulo como contratada da Rádio Difusora, a dupla Palmeira e Piraci participou dos programas sertanejos Longe da Cidade e Arraial da Curva Torta, este último conduzido com grande eficiência pelo Capitão Furtado, e passou a gravar pela Continental.

Canções como O Mundo Daqui a Cem Anos, Louvação a São Gonçalo, Sina de Beija-Flor (Palmeira, Piraci e Capitão Furtado), Promessa de Caboclo (Anacleto Rosas Junior), Paraguaia e Pepita de Ouro (Capitão Furtado e Palmeira), entre outras lançadas com o selo da nova gravadora, foram muito bem recebidas pelo público. Em seguida, a convite da Força Expedicionária Brasileira, a dupla voltou ao Rio de Janeiro para cantar na Vila Militar, onde Piraci musicou A Carta do Expedicionário e Palmeira criou a melodia de A Resposta para o Expedicionário, ambas com versos do Capitão Furtado.

Desfazendo-se a dupla Palmeira e Piraci em 1945, os antigos companheiros saíram à procura de parceiros para formar novas duplas. Palmeira juntou-se então ao cantor Luizinho e Piraci reuniu-se a Jorginho. Piraci e Jorginho logo ficaram conhecidos como Os Garimpeiros da Música Sertaneja.

Piraci e Jorginho

Em 1950 Piraci casou-se com Natalina Gornik, falecida em 1992, e em 1951 viu nascer sua única filha, Veranice Gornik Rodrigues, a quem presenteou com a valsa Veranice, gravada por Carlinhos Mafazzoli. Uma outra dupla caipira, Piraci e Guarani, surgiu então naquele período.

Piraci e Guarani

Segundo Teddy Vieira Azevedo eles eram "[... ] os melhores intérpretes do cururu, os `bambas' do cururu [... ] e atingiram os píncaros da glória ao lançar em disco da Continental dois grandes sucessos: o cururu Vencendo Sempre e a moda campeira Casando Fugido, que enriqueceram nosso querido Brasil." A dupla se desfez em 1952, dando lugar a outra parceria: Piraci e Cuiabá, que se manteve unida até 1957.

Piraci e Cuiabá

Em dez anos de carreira Piraci havia participado de três duplas de grande sucesso junto ao público, embora tivessem sido parcerias de curta duração. A partir daquele momento Piraci passou a dedicar-se mais ao humorismo, viajando acompanhado do então desconhecido sanfoneiro Mário Zan. Assumiu também muitas outras atividades, além daquela de que mais gostava: excursionar pelo Brasil afora divulgando a música caipira e o folclore brasileiro em shows pelo interior. Nas animadas rodas de cururu de que participava estava sempre ao lado do estudioso do folclore João Chiarini.

Convidado a dirigir o setor sertanejo da Chantecler, Piraci foi o responsável direto pelo lançamento de discos de cururueiros como Parafuso, Pedro Chiquito, Nho Serra, Moreno e tantos outros, que hoje são nomes importantes na história de nosso folclore.

Também foi Piraci quem lançou duplas como Duo Glacial e Duo Brasil Moreno, além de uma das melhores e até hoje mais bem-sucedidas e duradouras duplas sertanejas do Brasil: Tonico e Tinoco. Em 1958, na Editora Gráfica Souza Ltda., cuidou, junto com Serrinha, da apresentação gráfica da coleção de discos que compunha a série Brasil Ritmos.

Pândegas, Anedotas e Trocadilhos

Piraci continuou viajando com sua trupe, levando seu bom humor e sua experiência de artista consagrado a todos os cantos do Brasil. Em 1967 gravou pela Chantecler o LP Pândegas, Anedotas e Trocadilhos de Piraci, o Rei do Trocadilho, onde reuniu muitos 'causos', trocadilhos e cantigas, entre as quais se destacam: Conselhos Para as Moças (Lourival dos Santos e Moacir Santos), Trocando de Profissão (Piraci e Jorge Paulo) e Moda dos Ofícios (Piraci e Capitão Furtado). Augusto Toscano, então Presidente da União dos Artistas Sertanejos Paulistas, afirmava na contracapa do disco que " [...] falar de alguém que o Brasil inteiro conhece, aplaude e admira ao longo de uma vitoriosa carreira artística, é missão das mais árduas. [...]

Traçar o perfil de Miguel Lopes Rodrigues, uma criatura das mais sérias, responsável pela evolução e pelo prestígio da música sertaneja, é tarefa dificil.[...] Piraci, o Rei dos Trocadilhos. Piraci, o cantor. Piraci, o compositor. Piraci, o humorista. [...] Piraci formou duplas que ainda hoje são lembradas. Suas músicas, ultrapassando a casa das trezentas, continuam sendo cantadas, [...] graças à beleza de suas melodias e à singeleza poética de seus versos. [...] Homem que sempre esteve na trincheira defensiva da música sertaneja e jamais fugiu do campo de luta, onde quer que ela se apresentasse [...]."

Alguns anos mais tarde, em 1970, em noite de moda de viola e saudades do interior em seu apartamento na Avenida São João, em São Paulo, ao lado da família e de amigos violeiros, Piraci compôs, com Lourival dos Santos, seu parceiro original, aquela que ficou conhecida como um dos maiores sucessos de sua carreira: a canção Rio de Lágrimas ou Rio de Piracicaba, uma emocionada homenagem do compositor à sua cidade natal. Imediatamente gravada por Tião Carreiro e Pardinho, a composição obteve ampla aceitação por parte do público, sendo hoje uma das músicas brasileiras que atingiu os mais altos índices de regravação por outros cantores.

Entre os mais de 150 intérpretes de Rio de Lágrimas encontram-se vozes como as de Tonico e Tinoco, Sérgio Reis, Nardeli, Renato Teixeira, Almir Sater, Nenete e Dorinho e muitos outros.

Piraci, o Rei dos Trocadilhos

Piraci foi também sócio fundador da SOCIMPRO e sócio da União Brasileira de Compositores, a UBC, onde prestou grande serviço à profissionalização dos músicos nacionais. Impulsionado por seu interesse em torno do cururu, do cateretê, da moda campeira, da catira e de outras manifestações folclóricas brasileiras, Piraci fundou ainda, junto com Alceu Mainardi, a Revista Brasileira do Folclore, publicação que muito estimulou o reconhecimento desse importante segmento da cultura do país.


Armando Augusto Lopes, no artigo Piraci, uma legenda, escrito para a Revista Sertaneja, assim descreve o compositor: "Piraci figura entre os pioneiros da difusão da música sertaneja na capital.

Piraci, uma legenda

Quando estreou ao lado de Palmeira na Rádio São Paulo, em 1939 [a data correta é 1941], cantar música caipira era uma verdadeira temeridade. Poucas duplas haviam conseguido agradar até então e, via de regra, era necessária a inclusão de boa dose de humorismo nas apresentações e na própria letra das modas para evitar as vaias. Ao lado de Palmeira, Piraci formou uma das primeiras duplas que se arriscaram a contrariar essa norma."

Pouco tempo depois Piraci foi convidado a dirigir o selo da gravadora RCA Candem especializado em música sertaneja e ali continuou apoiando artistas emergentes que mais tarde viriam a se tornar expoentes do mundo musical.

Ao longo de sua carreira Piraci participou de todos os mais importantes programas de rádio do Brasil, entre eles Terra Brasileira e Aqui Está a Record, na Record; Arraial daCurva Torta, apresentado pelo Capitão Furtado, na Cultura; Carlos Ailton, na Paulista e Disque Sertão, na Nacional, na Bandeirante e na Difusora de São Paulo. Foi convidado a cantar na inauguração de rádios da Bahia e do Rio de Janeiro e, além disso, comandou seu próprio programa de rádio, na Rádio e TV Record.

Pertenceu à Associação dos Radialistas do Estado de São Paulo, à União dos Artistas Sertanejos Paulistas, ao Sindicato dos Músicos Profissionais do Estado de São Paulo, ao Sindicato dos Compositores Musicais do Rio de Janeiro e a muitas outras entidades coletivas. Recebeu também numerosos prêmios, homenagens, menções honrosas e troféus no decorrer de sua intensa e proficua vida profissional. No ano seguinte à sua morte,

Piraci foi homenageado publicamente em sua terra natal, Piracicaba, onde seu nome de batismo, Miguel Lopes Rodrigues, foi perpetuado em uma das ruas da cidade. Seu nome consta da Enciclopédia Brasileira de Música, edição atualizada pela Folha de São Paulo, e do livro de autoria de Rosa Nepomuceno, Música caipira: da roça ao rodeio, ambos editados em 1999.

Atualmente, são realizados trabalhos de pesquisa em torno da obra pioneira de Piraci, com o propósito de resgatar sua memória e de garantir-lhe o merecido destaque na história da música nacional. É importante ressaltar que a obra artística de Piraci - mais de 500 títulos gravados e editados - continua, mesmo depois de sua morte em 1974, sendo alvo de regravações na voz de vários intérpretes da música brasileira, caracterizando não apenas a verdadeira qualidade de seu trabalho artístico mas também a universalidade e a atemporalidade de suas canções.

Para finalizar é preciso ainda registrar a insensibilidade que marcou um recente evento político ocorrido em Piracicaba, durante a homenagem prestada pela Câmara Municipal aos compositores da música-símbolo da cidade, Rio de Lágrimas: a exclusão do nome de Piraci das comemorações. Nada poderia ser mais injusto, pois além de ser o único piracicabano entre os parceiros, o compositor, através de seu pseudônimo, levou o nome de Piracicaba a todos os recantos do país, tendo dedicado à cidade mais de vinte outras composições, como Saudades de Piracicaba (Piraci), Vencendo Sempre (Piraci e Guarani) e Luar de Piracicaba (Piraci e Aldino de Oliveira).

www.piraci.art.br

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Lourenço e Lourival–Biografia

capa

Os irmãos Arlindo Cassol, o Lourenço, e Antônio Cassol, o Lourival nasceram em Ribeirão Preto-SP nos dias 05/05/1939 e 11/09/1942, respectivamente.

Durante a infância, qualquer lata de óleo era logo por eles "adaptada" e "virava uma violinha", a qual eles sonhavam possuir; mas foi somente na década de 1950 que conseguiram um instrumento musical de verdade.

Iniciaram a carreira artística na adolescência com os nomes artísticos "Maurinho e Toninho" cantando na "Rádio 79" de Ribeirão Preto-SP.

Em 1959, Arlindo e Antônio trocaram Ribeirão Preto-SP pela Capital Paulista, onde se apresentaram nas Rádios Cometa, 9 de Julho, América, Capital, Nacional e também na Record, onde apresentaram durante 10 anos o programa "Linha Sertaneja Classe A", às Terças e aos Sábados. Passaram também um período no Rio de Janeiro-RJ onde atuaram na Rádio Mairink Veiga.
O primeiro disco foi gravado em 1962 com as músicas "Meu Regresso" (Tuta - José Russo), e "Amor Derrotado" (Garoa).

Um problema de saúde com Lourival, no entanto, obrigou a dupla a se afastar da carreira musical, a qual foi retomada somente em 1967, quando foram contratados pela gravadora Chantecler, quando eles passaram a realmente se destacar dentre as diversas duplas de sucesso na época.

  Após deixar a Record, Lourenço e Lourival começaram a viajar para fazer seus shows e voltaram a residir em sua Ribeirão Preto natal. A dupla é versátil, canta vários estilos e freqüentemente se apresenta em parques de exposição, festas de peão de boiadeiro e rodeios. E são também conhecidos como "Os Violeiros da Voz de Cristal".

Dentre as diversas músicas gravadas por Lourenço e Lourival, podemos destacar "Trem das Seis" (Luis de Castro - Benedito Seviero), "Meu Reino Encantado" (Vicente P. Machado - Valdemar Reis), "A Sementinha" (Dino Franco - Itapuã), "Minha Infância" (Dino Franco), "O Preço da Mentira" (Tuta - Tota), "As Três Namoradas" (Dino Franco - José Fortuna), "Encanto da Natureza" (Luiz Castro - Tião Carreiro), "Anel de Noivado" (Osvaldo Rieli - Juvenal Fernandes), "Duelo de Amor" (Goiá - Benedito Seviero), "A Enxada e a Caneta" (Capitão Barduíno - Teddy Vieira), "Velha Porteira" (Hélio Alves - Zitinho) (que é a música cujo trecho o Apreciador ouve quando acessa essa página), "A Rainha do Paraná" (Nízio - Braz Hernandes), "Desencoste da Chiquinha" (Cambará), "O Diploma e o Chapéu" (Tião do Carro - Caetano Erba) e "Franguinho na Panela" (Moacyr dos Santos - Paraíso), apenas para citar algumas.

Segundo Lourival, "Como Eu Chorei" (Telmo de Maia), gravada em 1971, foi um marco na carreira da dupla, tendo feito bastante sucesso e vendendo discos até os dias atuais. De acordo com Rosa Nepomuceno, nas páginas 168 e 169 de seu excelente livro "Música Caipira - Da Roça Ao Rodeio", essa música foi "um autêntico iê-iê-iê sertanejo, com bateria, guitarras e contra-baixo com a manutenção do canto em terças, na forma tradicional caipira".

Ainda segundo Rosa Nepomuceno, no mesmo livro, pág. 169, "Os irmãos de Ribeirão Preto inauguraram uma linguagem mais afogueada para falar de amor, trocando os beijos da tímida caboclinha debaixo de pés-de-ipê pelo amor de moças fogosas, em camas macias de motel (...) o recato da roça estava indo por água abaixo...".

Lourenço (à direita) e Lourival (à esquerda) já cantaram ao lado de renomadas duplas tais como Tonico e Tinoco, Milionário e José Rico, Canário e Passarinho, Teodoro e Sampaio e Pedro Bento e Zé da Estrada. Calcula-se que ao longo da carreira a dupla tenha gravado cerca de 45 discos em diversas gravadoras tais como Odeon, Cartaz, Chantecler, Playarte, Tocantins, RGE e Som Livre.

Curiosamente, em 1990, com os nomes "Toshiro e Tanaka", Lourenço e Lourival gravaram um disco humorístico com paródias de sucessos da época como o sucesso de Leandro e Leonardo "Entre Tapas e Beijos" (Nilton Lamas - Antonio Bueno) que com eles passou a se chamar "Carne e Queijo". E gravaram também uma "paródia japonesa" de "Os Três Boiadeiros" (Anacleto Rosas Jr.), à qual deram o "novo título" de "Os Três Boiadeiros Japoneses".

E é com muito bom humor que Lourenço e Lourival continuam "na estrada" fazendo suas apresentações que nos brindam não apenas com suas "vozes de cristal" como também o enfoque satírico que dão ao próprio show e aos títulos das músicas de seu repertório. A quase totalidade das músicas que interpretam eles anunciam com o "nome modificado", como é o caso de "Velha Parteira" ("Velha Porteira" (Hélio Alves - Zitinho)) e "Leitão A Perereca" ("Leitão A Pururuca" (Muniz Teixeira - Lourenço))...


Em seus shows, Lourenço e Lourival também fazem questão de frisar que eles formam "a Dupla Caipira que mais contribui para o programa 'Fome Zero', pois eles têm no repertório músicas como 'Franguinho Na Panela' (Moacyr dos Santos - Paraíso), 'Leitão A Pururuca' (Muniz Teixeira - Lourenço) e 'Só Filé' (Praense - Cassapula)". Na foto acima à esquerda, Lourenço e Lourival numa excelente apresentação que teve lugar na cidade de Pardinho-SP, no dia 11/06/2005, por ocasião do III FESMURP - Festival de Música Sertaneja de Pardinho, quando tive o prazer de conhecer pessoalmente os Violeiros da Voz de Cristal.

E, na foto abaixo, da esquerda prá direita, Lourival, Ricardinho e Lourenço, após a apresentação no III FESMURP, no dia 11/06/2005:

Contato para shows:
(16) 3630-7458

Clique aqui e conheça o Site Oficial da Dupla Lourenço e Lourival, desenvolvido por Eder Carlos S. Sotto e Naylor Garcia, com Biografia da Dupla, Fotos, Discografia, Venda de CD's e Contatos para Shows.

Texto copiado na íntegra do site: www.boamusicaricardinho.com

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Almoço com o Clube da Viola em Tibiriçá

Apresentação em Tibiriça

História da Música Sertaneja

A música Sertaneja surgiu ainda na década de 10. O pioneiro desse movimento foi o jornalista e escritor Cornélio Pires que costumava trazer para os grandes centros os costumes dos caipiras. Desde encenações teatrais à cantores de estilos como o Catira, etc..

Em 1912, Cornélio lançou um livro chamado Musa Caipira, que trazia versos típicos.

No início da década de 20 uma instituição liderada por Mario de Andrade promoveu uma semana para divulgação da arte brasileira, onde pela primeira vez foi montado um grupo intitulado de sertanejo, com instrumentos simples como a viola caipira, misturando alguns ritmos como o Catira, Moda de Viola, Lundu, Cururu, etc... Valorizando ainda mais o trabalho de Cornélio Pires.

O primeiro registro de um grupo de música Sertaneja foi datado de 1924 (A Turma Caipira de Cornélio Pires), formada por violeiros como Mariano, Caçula, Zico Dias, Ferrinho, Mady e Sorocabinha, e alguns outros tão importantes da época.

cornelio_pires_violeiros

Agora o primeiro registro fonográfico do estilo, deu-se em 1929 quando Cornélio Pires desacreditado pela gravadora Columbia resolveu bancar do seu próprio bolso a gravação e edição do primeiro álbum, que em poucos dias de lançamento esgotou-se nas lojas. Começava daí o interesse pelo estilo por parte das gravadoras.

A primeira Música Caipira gravada foi Jorginho do Sertão, de autoria de Cornélio Pires, nas vozes de Mariano e Caçula.

Jorginho do Sertão
Cornélio Pires

O Jorginho do Sertão
Rapazinho de talento
Numa carpa de café
Enjeitô treis casamento

Logo veio o seu patrão
Cheio de contentamento
(tenho treis filhas "sorteira que
Ofereço em casamento)

Logo veio a mais nova
Vestidinho cheio de fita
Jorginho case comigo
Que das treis sô a mais bonita

Logo veio a do meio
Vestidinho cor de prata
Jorginho case comigo
Ou então você me mata

Logo veio a mais véia
Por ser mais interesseira
Jorginho case comigo
Sou a mais trabaiadeira

Jorginho pegou o cavalo
Ensilhô na mesma hora
Foi dizê pra morenada
Adeus que eu já vou me embora

Na hora da despedida,
Ai, ai, ai
É que a morenada chora
Ai, ai, ai

O Jorginho arresorveu
É melhor que eu mesmo suma
Não posso casá cum as treis, ai
Eu num caso cum nenhuma.

Assim como na música Country americana, uma gravadora que se interessou pela geração desse trabalho foi a RCA-Victor que convidou o violeiro Mandy para montar um outro grupo intitulado Turma Caipira da Victor, nascendo uma concorrência sadia entre os dois grupos e as duas gravadoras.

Já com inúmeros adeptos e crescendo a cada ano mais e mais, no final da década de 20 começou a surgir as primeiras duplas como Mariano e Caçula, Zico e Ferrinho, Sorocabinha e Mandy, na maioria violeiros das turmas do Cornélio e da Victor.

Na década de 30 surge, sem dúvida, uma das mais importantes duplas sertanejas de todos os tempos (Alvarenga e Ranchinho) que além de tudo eram muito alegres e engraçados. Uma curiosidade sobre a dupla é que de tanta "descontração" foram presos pelo governo de Getúlio Vargas.

E muitas outras duplas formaram-se, algumas trazendo a tristeza do sertanejo no peito, outras mostrando o lado alegre do caipira, etc...

No ano de 1939 a dupla Raul Torres e Serrinha inovou introduzindo à música sertaneja o Violão.
Mais para frente Raul Torres e Serrinha inovaram novamente criando o primeiro programa de rádio dedicado a música sertaneja, transmitido pela Record com a participação de José Rielli, o programa chamava-se Três Batutas do Sertão.

Surgiram vários nomes importantes da música sertaneja, e o movimento que até então era apenas do eixo São Paulo - Minas Gerais, passou a se expandir por todo o país, nascendo influências regionais como as do Rio Grande do Sul, Goiás, Pernambuco estado de Raul Torres, Mato Grosso, etc...

Hoje em dia para qualquer lado que se olhe existe um representante da música sertaneja, que deixou de ser um tributo aos sentimentos do homem do campo para se tornar sinônimo de cifras e grande espetáculos, onde a última coisa que se ouve é o dedilhar de uma viola tocada pelas mãos calejadas da enxada e o puro sentimento ingênuo dos homens e mulheres dessas regiões.

Texto: Tião Camargo

Fonte: http://sertanejo.musicblog.com.br