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sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Piraci (Miguel Lopes Rodrigues)

piraci MIGUEL LOPES RODRIGUES
* Piracicaba, São Paulo, 1917 - † Caieiras, São Paulo, 1974

Filho de Francisco Lopes Rodrigues e de Encarnación Puga Rodrigues, o compositor Miguel Lopes Rodrigues, caboclo dos Marins, bairro da cidade paulista de Piracicaba, iniciou sua carreira artística em 1937, quando formou com o irmão Santiago Lopes sua primeira dupla sertaneja, os Irmãos Piracicabanos.

Durante os quatro anos em que Miguel e Santiago trabalharam juntos a dupla se apresentou em inúmeros shows, que incluíam 'causos', humorismo e alguma música caipira. Por sugestão de Oduvaldo Viana, Miguel associou-se então a Palmeira, fazendo surgir em 1941, na Rádio Difusora de São Paulo, a dupla caipira mais importante da década seguinte: Palmeira e Piracicabano, que em 2002 completou 60 anos de criação.

Com o imediato sucesso que obteve em todo o interior e na capital do Estadode São Paulo, por influência de Serrinha (Antenor Serra) e do Capitão Furtado, a nova dupla partiu para o Rio de Janeiro para gravar seu primeiro disco. Seu primeiro LP - composto por dez faixas musicais, entre as quais Mulheres Célebres (Capitão Furtado e ítalo Izzo) e Carro de Boi (Capitão Furtado e Orlando Puzone) gravado na RCA Victor - alcançou grande repercussão em todo o Brasil. No lastro de seu amplo sucesso nacional, Palmeira e Piracicabano foram então contratados pelas casas de espetáculo de maior prestígio daquele momento, a Rádio Nacional e o Cassino da Urca, no Rio de Janeiro, que viviam seu período áureo.

Foi por aquela época que Miguel Lopes Rodrigues, aceitando sugestão do padrinho e amigo Zé da Zilda, abreviou seu pseudônimo para Piraci e a dupla passou a gravar com o nome artístico de Palmeira e Piraci.

Palmeira e PiraciEm 1944, retornando a São Paulo como contratada da Rádio Difusora, a dupla Palmeira e Piraci participou dos programas sertanejos Longe da Cidade e Arraial da Curva Torta, este último conduzido com grande eficiência pelo Capitão Furtado, e passou a gravar pela Continental.

Canções como O Mundo Daqui a Cem Anos, Louvação a São Gonçalo, Sina de Beija-Flor (Palmeira, Piraci e Capitão Furtado), Promessa de Caboclo (Anacleto Rosas Junior), Paraguaia e Pepita de Ouro (Capitão Furtado e Palmeira), entre outras lançadas com o selo da nova gravadora, foram muito bem recebidas pelo público. Em seguida, a convite da Força Expedicionária Brasileira, a dupla voltou ao Rio de Janeiro para cantar na Vila Militar, onde Piraci musicou A Carta do Expedicionário e Palmeira criou a melodia de A Resposta para o Expedicionário, ambas com versos do Capitão Furtado.

Desfazendo-se a dupla Palmeira e Piraci em 1945, os antigos companheiros saíram à procura de parceiros para formar novas duplas. Palmeira juntou-se então ao cantor Luizinho e Piraci reuniu-se a Jorginho. Piraci e Jorginho logo ficaram conhecidos como Os Garimpeiros da Música Sertaneja.

Piraci e Jorginho

Em 1950 Piraci casou-se com Natalina Gornik, falecida em 1992, e em 1951 viu nascer sua única filha, Veranice Gornik Rodrigues, a quem presenteou com a valsa Veranice, gravada por Carlinhos Mafazzoli. Uma outra dupla caipira, Piraci e Guarani, surgiu então naquele período.

Piraci e Guarani

Segundo Teddy Vieira Azevedo eles eram "[... ] os melhores intérpretes do cururu, os `bambas' do cururu [... ] e atingiram os píncaros da glória ao lançar em disco da Continental dois grandes sucessos: o cururu Vencendo Sempre e a moda campeira Casando Fugido, que enriqueceram nosso querido Brasil." A dupla se desfez em 1952, dando lugar a outra parceria: Piraci e Cuiabá, que se manteve unida até 1957.

Piraci e Cuiabá

Em dez anos de carreira Piraci havia participado de três duplas de grande sucesso junto ao público, embora tivessem sido parcerias de curta duração. A partir daquele momento Piraci passou a dedicar-se mais ao humorismo, viajando acompanhado do então desconhecido sanfoneiro Mário Zan. Assumiu também muitas outras atividades, além daquela de que mais gostava: excursionar pelo Brasil afora divulgando a música caipira e o folclore brasileiro em shows pelo interior. Nas animadas rodas de cururu de que participava estava sempre ao lado do estudioso do folclore João Chiarini.

Convidado a dirigir o setor sertanejo da Chantecler, Piraci foi o responsável direto pelo lançamento de discos de cururueiros como Parafuso, Pedro Chiquito, Nho Serra, Moreno e tantos outros, que hoje são nomes importantes na história de nosso folclore.

Também foi Piraci quem lançou duplas como Duo Glacial e Duo Brasil Moreno, além de uma das melhores e até hoje mais bem-sucedidas e duradouras duplas sertanejas do Brasil: Tonico e Tinoco. Em 1958, na Editora Gráfica Souza Ltda., cuidou, junto com Serrinha, da apresentação gráfica da coleção de discos que compunha a série Brasil Ritmos.

Pândegas, Anedotas e Trocadilhos

Piraci continuou viajando com sua trupe, levando seu bom humor e sua experiência de artista consagrado a todos os cantos do Brasil. Em 1967 gravou pela Chantecler o LP Pândegas, Anedotas e Trocadilhos de Piraci, o Rei do Trocadilho, onde reuniu muitos 'causos', trocadilhos e cantigas, entre as quais se destacam: Conselhos Para as Moças (Lourival dos Santos e Moacir Santos), Trocando de Profissão (Piraci e Jorge Paulo) e Moda dos Ofícios (Piraci e Capitão Furtado). Augusto Toscano, então Presidente da União dos Artistas Sertanejos Paulistas, afirmava na contracapa do disco que " [...] falar de alguém que o Brasil inteiro conhece, aplaude e admira ao longo de uma vitoriosa carreira artística, é missão das mais árduas. [...]

Traçar o perfil de Miguel Lopes Rodrigues, uma criatura das mais sérias, responsável pela evolução e pelo prestígio da música sertaneja, é tarefa dificil.[...] Piraci, o Rei dos Trocadilhos. Piraci, o cantor. Piraci, o compositor. Piraci, o humorista. [...] Piraci formou duplas que ainda hoje são lembradas. Suas músicas, ultrapassando a casa das trezentas, continuam sendo cantadas, [...] graças à beleza de suas melodias e à singeleza poética de seus versos. [...] Homem que sempre esteve na trincheira defensiva da música sertaneja e jamais fugiu do campo de luta, onde quer que ela se apresentasse [...]."

Alguns anos mais tarde, em 1970, em noite de moda de viola e saudades do interior em seu apartamento na Avenida São João, em São Paulo, ao lado da família e de amigos violeiros, Piraci compôs, com Lourival dos Santos, seu parceiro original, aquela que ficou conhecida como um dos maiores sucessos de sua carreira: a canção Rio de Lágrimas ou Rio de Piracicaba, uma emocionada homenagem do compositor à sua cidade natal. Imediatamente gravada por Tião Carreiro e Pardinho, a composição obteve ampla aceitação por parte do público, sendo hoje uma das músicas brasileiras que atingiu os mais altos índices de regravação por outros cantores.

Entre os mais de 150 intérpretes de Rio de Lágrimas encontram-se vozes como as de Tonico e Tinoco, Sérgio Reis, Nardeli, Renato Teixeira, Almir Sater, Nenete e Dorinho e muitos outros.

Piraci, o Rei dos Trocadilhos

Piraci foi também sócio fundador da SOCIMPRO e sócio da União Brasileira de Compositores, a UBC, onde prestou grande serviço à profissionalização dos músicos nacionais. Impulsionado por seu interesse em torno do cururu, do cateretê, da moda campeira, da catira e de outras manifestações folclóricas brasileiras, Piraci fundou ainda, junto com Alceu Mainardi, a Revista Brasileira do Folclore, publicação que muito estimulou o reconhecimento desse importante segmento da cultura do país.


Armando Augusto Lopes, no artigo Piraci, uma legenda, escrito para a Revista Sertaneja, assim descreve o compositor: "Piraci figura entre os pioneiros da difusão da música sertaneja na capital.

Piraci, uma legenda

Quando estreou ao lado de Palmeira na Rádio São Paulo, em 1939 [a data correta é 1941], cantar música caipira era uma verdadeira temeridade. Poucas duplas haviam conseguido agradar até então e, via de regra, era necessária a inclusão de boa dose de humorismo nas apresentações e na própria letra das modas para evitar as vaias. Ao lado de Palmeira, Piraci formou uma das primeiras duplas que se arriscaram a contrariar essa norma."

Pouco tempo depois Piraci foi convidado a dirigir o selo da gravadora RCA Candem especializado em música sertaneja e ali continuou apoiando artistas emergentes que mais tarde viriam a se tornar expoentes do mundo musical.

Ao longo de sua carreira Piraci participou de todos os mais importantes programas de rádio do Brasil, entre eles Terra Brasileira e Aqui Está a Record, na Record; Arraial daCurva Torta, apresentado pelo Capitão Furtado, na Cultura; Carlos Ailton, na Paulista e Disque Sertão, na Nacional, na Bandeirante e na Difusora de São Paulo. Foi convidado a cantar na inauguração de rádios da Bahia e do Rio de Janeiro e, além disso, comandou seu próprio programa de rádio, na Rádio e TV Record.

Pertenceu à Associação dos Radialistas do Estado de São Paulo, à União dos Artistas Sertanejos Paulistas, ao Sindicato dos Músicos Profissionais do Estado de São Paulo, ao Sindicato dos Compositores Musicais do Rio de Janeiro e a muitas outras entidades coletivas. Recebeu também numerosos prêmios, homenagens, menções honrosas e troféus no decorrer de sua intensa e proficua vida profissional. No ano seguinte à sua morte,

Piraci foi homenageado publicamente em sua terra natal, Piracicaba, onde seu nome de batismo, Miguel Lopes Rodrigues, foi perpetuado em uma das ruas da cidade. Seu nome consta da Enciclopédia Brasileira de Música, edição atualizada pela Folha de São Paulo, e do livro de autoria de Rosa Nepomuceno, Música caipira: da roça ao rodeio, ambos editados em 1999.

Atualmente, são realizados trabalhos de pesquisa em torno da obra pioneira de Piraci, com o propósito de resgatar sua memória e de garantir-lhe o merecido destaque na história da música nacional. É importante ressaltar que a obra artística de Piraci - mais de 500 títulos gravados e editados - continua, mesmo depois de sua morte em 1974, sendo alvo de regravações na voz de vários intérpretes da música brasileira, caracterizando não apenas a verdadeira qualidade de seu trabalho artístico mas também a universalidade e a atemporalidade de suas canções.

Para finalizar é preciso ainda registrar a insensibilidade que marcou um recente evento político ocorrido em Piracicaba, durante a homenagem prestada pela Câmara Municipal aos compositores da música-símbolo da cidade, Rio de Lágrimas: a exclusão do nome de Piraci das comemorações. Nada poderia ser mais injusto, pois além de ser o único piracicabano entre os parceiros, o compositor, através de seu pseudônimo, levou o nome de Piracicaba a todos os recantos do país, tendo dedicado à cidade mais de vinte outras composições, como Saudades de Piracicaba (Piraci), Vencendo Sempre (Piraci e Guarani) e Luar de Piracicaba (Piraci e Aldino de Oliveira).

www.piraci.art.br

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Raridades fonográficas matogrossense

Raridades Matogrossense

Clique na imagem para vero video completo

Colecionador monta arquivo fonográfico com raridades da música regional

Enviado por Carlos Luz

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Saudade Sertaneja – Volume 31

David Arioch – Jornalismo Cultural

Charretes se destacavam na década de 1950

Charrete 01 Paranavaí contava com mais de 80 charreteiros (Acervo: Casa da Cultura)

Meio de transporte era muito usado pela população de Paranavaí

Nos anos 1950, o meio de transporte mais usado pela população de Paranavaí era a charrete. O serviço que tinha um custo baixo ficava disponível o dia todo em três pontos da cidade. Pioneiro lembra que os charreteiros tomavam conta de todas as ruas numa época em que os automóveis eram acessíveis a poucos.

As charretes surgiram em Paranavaí na década de 1940, mas se popularizaram em 1950, quando houve um bom crescimento populacional registrado a partir de 1948. Com um maior número de moradores, surgiu a necessidade de um serviço de meio de transporte que facilitasse a vida em comunidade. “Foi aí que alguns migrantes tiveram a ideia de trabalhar como charreteiros. Quase ninguém tinha carro, e como tudo ainda era longe, já que nem todo mundo tinha condições de morar na região central, o jeito era pagar pelo serviço de charrete”, relatou o pioneiro cearense João Mariano, acrescentando que o preço de uma “corrida” era acessível à maioria.

Por volta de 1955, já havia em Paranavaí mais de 80 charreteiros que se dividiam em três localidades: Ponto Azul, Avenida Paraná e Zona do Baixo Meretrício, quase em frente à Boate da Cigana [onde se situam os prédios Catuay e Guarapari]. Muitos dos pioneiros que atuavam no ramo eram ex-peões que trabalharam na abertura de estradas e derrubada de mata.

Havia também aqueles que não deram certo como comerciantes e produtores rurais, e decidiram usar cavalos e bois para outra finalidade. “O serviço de peão era pesado e sofrido, então acontecia do sujeito guardar um dinheirinho, comprar um cavalinho, uma carroça velha, mandar reformar e transformar em charrete”, explicou Mariano. Outros compravam madeiras, procuravam materiais que podiam ser aproveitados e a construíam por conta própria.

Os charreteiros eram contratados principalmente para levar passageiros para pegar ônibus no Ponto Azul e avião no Aeroporto Edu Chaves [atual Colégio Estadual de Paranavaí (CEP)], além de transportar pessoas até a Zona do Baixo Meretrício. “Uma charrete chegava a fazer até dezenas de viagens num dia. Tinha época que tinha muito serviço, mas de vez em quando diminuía um pouco por causa de alguma crise agrícola”, relatou o pioneiro, acrescentando que o modelo da carroça variava conforme a situação financeira do carroceiro.

Enquanto algumas ofereciam o mínimo de conforto, como um assento estofado, muitas eram mais simples, com bancos de madeira. “Numa corrida curta quase ninguém se importava com isso, mas se o trajeto fosse um pouco mais longo podia ficar desconfortável. Tinha peão que chegava a descer da carroça com o corpo duro”, brincou João Mariano que nunca se esqueceu das muitas oportunidades em que viu as ruas da cidade tomadas por dezenas de charretes.

Segundo o pioneiro, naquele tempo, estranho era o som de um motor em meio a tantos animais trotando, galopando e relinchando. “Quando fazia muito calor, e no fim da tarde os charreteiros voltavam pro ponto, às vezes, traziam um vento que levantava a poeira das ruas de chão batido. O céu avermelhava enquanto o solo arenoso as donas-de-casa castigava, sujando toda a roupa do varal, mas fazer o que se era mais um dia de trabalho normal?”, poetizou o pioneiro cearense.

Fonte: http://davidarioch.wordpress.com/tag/predio-guarapari/

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

PIRAPORA DO BOM JESUS E BOM JESUS DE PIRAPORA e Ado Benatti

acasrecente Autor:  AntónioCarlos Affonso dos Santos

Pirapora do Bom Jesus é uma cidade pequena e calma, às margens do Rio Tietê. A cidade fica num vale encravada entre grandes montanhas da serra do Ivoturuna. Fundada em 25 de maio de 1730, a cidade desenvolveu-se notadamente com os faiscadores de ouro e depois com a agricultura. Atualmente, o Rio Tietê está bastante poluído neste trecho. O Rio Tietê corta o centro velho da cidade e por vezes, pode-se observar tapetes de espuma sobre suas águas. Este fato ocorre devido a proximidades da cidade, da Barragem de Pirapora do Bom Jesus. Essa barragem, tem por finalidade acumular água, para atender a Usina Hidroelétrica de Rasgão, inaugurada em 1925, que se situa pouco mais abaixo e que produz energia elétrica para a cidade e até para outras usinas.

As águas poluídas do Tietê, quando passam pelos seus vertedouros ou pela sua tubulação interna de descarga, acabam por produzir muita espuma, proveniente da contaminação da água por dejetos domésticos, notadamente detergente, usado em alta escala na maior cidade do hemisfério sul do planeta; São Paulo, que fica à montante e despeja diariamente algumas toneladas deste produto, utilizado em todas as casas dos 16 milhões de pessoas.

O resultado da contaminação ambiental pode ser vista diariamente, sendo que este autor já presenciou pessoalmente um dia em que a ponte que cruza o rio e que fica no centro velho da cidade estava revestida de espuma; convém que o leitor atente de que a ponte fica, no mínimo cinco ou seis metros acima do nível normal do Rio Tietê naquele ponto.

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VISTA DA IGREJA MATRIZ DE BOM JESUS DE PIRAPORA, A PARTIR DA PONTE QUE CRUZA A CIDADE. MAIS AO FUNDO, O SEMINARIO PREMONSTRATENSE

Portanto, vocês podem imaginar o grau de poluição atual, que não só pode ser observado, mas também pode ser sentido pelo olfato, pois o mau cheiro, por vezes, é nauseante.

Já a Serra do Ivoturuna que cerca a cidade, é tombada pelo Conselho Nacional do Patrimônio Histórico, o CONDEPHAAT e seu nome em Tupi, significa «Montanha Negra» ; nome esse dado pelos índios, devido à cobertura de vegetação de tonalidade escura, que em determinadas épocas do ano chegava a escurecer a paisagem do entorno do povoado. A Serra do Ivoturuna possui nascentes de água e cachoeiras, inclusive vertentes (fontes) que abastecem o município.

Pirapora do Bom Jesus dista 53 km da cidade de São Paulo, com acesso para a rodovia SP-312 (Estrada dos Romeiros), através do Km 26 da rodovia Castelo Branco. A sua população em 2009 era de 15.706 habitantes, sua área é de 108 km²; o que resulta numa densidade demográfica de 127,43 hab/km². Seus limites são Cabreuva e Jundiái, a norte; Cajamar, a leste; Santana de Parnaíba, a sul e Araçariguama, a oeste.

No início do povoamento, o Rio Tietê serviu como via de transporte, comunicação, energia, subsistência, irrigação e lazer. O ACAS esteve pessoalmente no início dos anos 60 na cidade e a cidade fervilhava de gente atraída pela religiosidade e também para lazer e pesca amadora. O rio era piscoso e a população flutuante de romeiros passeavam em barcas que os levavam para montante do rio até a Usina e abaixo até um trecho em que o rio faz um remanso; local disputadíssimo pelos pescadores de fim de semana.

HISTORIA E RELIGIOSIDADE

Pirapora do Bom Jesus é uma cidade turística, famosa pelas romarias que recebe; onde ciclistas, pedestres, charreteiros, cavaleiros e veículos motorizados chegam para reverenciar a imagem de Bom Jesus. Isso continua até os dias de hoje, embora o número de visitantes têm caído continuamente.

A cidade é também parte do roteiro do «Caminho do Sol», a versão brasileira mais conhecida do «Caminho de Santiago», entre a França e a Espanha, divulgado mundialmente até pelo escritor Paulo Coelho.

No Caminho do Sol (do qual o ACAS está preparando artigo a respeito), são percorridos em onze dias, cerca de 240 quilômetros, passando por 12 cidades. O Caminho do Sol inicia-se na cidade de Santana de Parnaíba e termina na cidade de Aguas de São Pedro.

Quem completa o percurso, além de encontrar a introspecção e o desapego material, e desde que tenha coletado todos os «carimbos de passagem» de locais prédeterminados, recebe também o «Arasolis», que é o certificado de conclusão do percurso. (quem quiser antecipar informações entre emcontato com o idealizador do Caminho do Sol, José Palma, entre no e-mail palma@caminhodosol.org ).

De certa forma, o «Caminho do Sol» veio revitalizar a região de Pirapora como uma das sedes espirituais do Brasil Católico Apostólico Romano, numa época em que o materialismo impera.

A cidade de Pirapora do Bom Jesus e o Caminho do Sol, nos prova que a fé continua no nosso povo, se bem que nos dias atuais, robotizado, ele precisa de ânimo (alma) novo em fé antiga, assim o Bom Jesus de Pirapora e o Caminho do Sol são duas chances de tornar-mos mais espiritualistas e menos materialistas.

Pirapora do Bom Jesus tornou-se município em 1959, quando se emancipou de Santana de Paraníba.

A IGREJA MATRIZ DO BOM JESUS DE PIRAPORA

Em 1725, a imagem de madeira do Senhor Bom Jesus, o santo padroeiro da cidade, foi encontrada numa corredeira, apoiada numa pedra do Rio Tietê. Na cidade, o visitante encontra o primeiro Santuário Cristocêntrico do Brasil, cuja origem teve início em 1725, quando foi descoberta, em uma corredeira, a imagem do Bom Jesus.

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FOTO FEITA PELO AUTOR, EM 2010: O CENTRO VELHO DA CIDADE E O RIO TIETE

A capela inicialmente construída no local deu lugar a outra feita de madeira. Em 1845 iniciou-se a construção da atual Igreja (concluída em 1887- a data está mostrada na fachada principal da igreja), que abriga a famosa escultura de Cristo, com cabelos naturais. A escultura está localizada no Altar Mor, protegida por uma redoma de vidro à prova de balas e é acessada pela lateral da Igreja.

Até hoje, a cidade continua recebendo um número bastante significativo de romeiros tanto em datas religiosas quanto em fins de semanas normais.

SEMINARIO

O Seminário Premonstratense foi erguido em 1897. Sua arquitetura é em estilo colonial Português. Em Março de 1898 foram iniciadas as aulas no Colégio Premonstratense, com internato.

Em 1905 é transferido para Pirapora, vindo de São Paulo, o «Seminário Menor Metropolitano» a pedido do Bispo de São Paulo, que funcionou até o final de 1948. De 1953 a 1967 funcionou também no prédio, o Noviciado Premonstratense e o Seminário Maior.

Em dezembro de 1975 o seminário encerrou suas atividades. Atualmente, o prédio serve na sua parte da frontal como residência de cônegos que administram o Santuário, já a segunda parte é destinada ao curso de jovens que ocorrem nos fins de semana.

Dentro do seminário, há um museu, iniciado pelos próprios irmãos no ano de 1900, onde encontramos coleções de borboletas de espécies exóticas e extintas, moedas e selos antigos em ótimo estado de conservação, objetos religiosos pertencentes aos primeiros cônegos, peças pertencentes á Segunda Guerra Mundial; e animais empalhados, pertencentes à mata local (onça e tamanduá - bandeira...) capturados por volta de 1853 e doados pelos caçadores da cidade.

O museu conserva ainda um razoável acervo de fotos que registram o início do desenvolvimento do município e seu passado glorioso: fotos da Revolução Constitucionalista, além de peças esculpidas pelo irmão José Withofs, um grande artista autodidata da cidade com uma vida dedicada á igreja. O museu está aberto aos visitantes somente aos domingos, das 9:00 h ás 16:00 h.

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ROMEIROS A CAVALO RUMANDO A PIRAPORA DO BOM JESUS

A Secretaria da Cultura e Turismo da cidade estima que cerca de 600 mil pessoas vão anualmente a Pirapora, perdendo em número de romeiros, apenas para Aparecida (popularmente conhecida como Aparecida do Norte), cidade onde se encontra a Basílica de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil.

Algumas romarias repetem-se todos os anos, há muitos anos, especialmente as romarias a cavalo; de Santo Amaro (bairro antigo de São Paulo) e a Romaria de Jundiaí (cidade próxima à Pirapora).

Sobretudo no mês de julho a cidade fica lotada de turistas religiosos. E muito bonita a missa que é feita em homenagem às romarias a cavalo, pois os fiéis peões, assistem à missa montado em seus cavalos e charretes, enquanto o padre que oficia a missa sobre uma espécie de palco gigante, onde é montado um altar com a imagem milagrosa.

E comovente ver aqueles fiéis, montados nas suas montarias, chapéu na mão, olhar voltado para o solo, em clima de respeito. O ACAS assistiu duas dessas missas.

A história narra que José Almeida Naves, que encontrou a imagem do Bom Jesus, decidiu transportar a imagem para o município de Santana de Parnaíba, quando o carro de seis juntas de bois atolou na estrada.

Contam os relatos que vários homens tentaram em vão retirá-lo, quando se acercou um surdo-mudo destes homens e disse: «coloquem uma só junta e a imagem voltará de onde saiu».

Os homens seguiram seu conselho e o carro saiu do atoleiro. Pasmos eles ficaram, pois este surdo-mudo nunca falara antes. No local onde aconteceram os fatos, foi erguida uma capela e esta notícia se espalhou rapidamente.

Iniciaram-se assim as primeiras romarias, com os devotos cumprindo suas promessas e banhando-se nas águas milagrosas do «Beco do Rio Santo». Desde então, a cidade vem recebendo um grande número de romeiros, tanto em datas religiosas, quanto nos finais de semana. Pelo que o ACAS pesquisou, este talvez tenha sido o primeiro milagre do Bom Jesus de Pirapora na cidade.

Por ser um santo milagroso, inúmeros relatos de milagres podem ser ouvidos das bocas das pessoas moradoras em Pirapora e pelo alto número de «Ex-Votos», peças em cera que significam partes do corpo humano que eram doentes e que milagrosamente foram curadas pelo Bom Jesus; lá encontram-se peças representando mãos, pés, cabeças, corações, etc.

Também lá podem ser encontradas, diariamente, pessoas de todos os níveis sociais que procuram alento às suas vidas, esperança, curas e emprego.

PIRAPORA DO BOM JESUS E BOM JESUS DE PIRAPORA, Ado Benatti e Geraldo Filme

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Coluna: Antônio Carlos Affonso dos Santos. ACAS, o Caipira Urbano.

http://www.raizonline.net/noventaecinco/sessentaeseis.htm

ARTISTAS PIRAPORENSES FAMOSOSpiraporaadobenatoacas

ADO BENATI (E SEU SUPEREGO ZE DO MATO) NO ESCRITORIO DE PIRAPORA

Não necessariamente eles nasceram em Pirapora do Bom Jesus, mas suas histórias ficaram (e ficarão) ligadas eternamente à cidade.

Sem dúvida, o artista mais conhecido que passou por Pirapora, foi o Ado Benati. Ele nasceu em Taquaritinga (SP) em 23/09/1908 e morreu em Pirapora do Bom Jesus (SP) em 04/11/1962.

Ele começou a carreira artística compondo emboladas e cantando em programas de calouros; o «must» da época. Em 1939 passou a atuar na Rádio Educadora Paulista de São Paulo, com o regional de Caxangá (um tipo de banda da época). Mais tarde passou a atuar como contratado pela rádio Difusora de São Paulo.

Fez fama quando por volta de 1947 criou o personagem Zé do Mato; neste mesmo ano teve gravada por Tonico e Tinoco, sua primeira composição: a moda de viola «Destino de um Caboclo».

Um de seus maiores sucessos foi a música «Bom Jesus de Pirapora», onde o poeta narra de modo comovente, a saga que uma senhora teve que passar para chegar à Pirapora de Bom Jesus e o milagre conseguido.

Mesmo nos dias atuais, se pode ouvir esta música no serviço de alto falantes da cidade. Ado Benati publicou também livros e escreveu peças de teatro, que à época eram montadas em circos pelo interior do Brasil afora.

Alguns de seus grandes sucessos como compositor foram «Bom Jesus de Pirapora» e «Transporte de boiada». Publicou os livros de poemas «Musa cabocla» e «Alma da terra».

Escreveu também as histórias populares «Contos do Zé do Mato» e os versos populares «Tambaú, cidade dos milagres», «A morte do Dioguinho», «Bom Jesus de Pirapora» e «Os crimes de Dioguinho».

Foi autor também de diversas peças caipiras que alcançam sucesso ainda hoje. Dentre elas, podemos citar «Mão criminosa», com Tonico e Tinoco, «O filho do sapateiro» e «Sindicato dos malucos».

Segundo informações colhidas pelo ACAS, alguns moradores lembram-se dele ou contam que seus pais tinham contato com ele. Ado Benati tinha uma casa em Pirapora, chamado por ele de «rancho», onde compunha, recebia amigos e pescava muito.

Bom Jesus de Pirapora

Clássico da música sertaneja ...- Autores: Ado Benatti e Serrinha, gravado em 1951, por Serrinha e Caboclinho (Rielinho auxiliava com seu conjunto) ...Vários artistas a gravaram depois, inclusive Tonico e Tinoco...

 

Eis a letra :
(Declamado)
Mãe, nome sagrado que a gente venera e adora
Criatura que mais se ama, depois de Nossa Senhora!
Vendo minha mãe paralítica, sem um sinal de melhora,
Levei ela confiante ao Bom Jesus de Pirapora...
(Cantado)
Num velho carro de boi,
Saímos estrada a fora,
Passamos em toda a viagem
Perigos de hora em hora,
Dormindo nos mataréus
Aonde a pintada mora
Mas quem tem fé neste mundo
Sofre calado e não chora!
Com dez dias de viagem,
Sem a esperança perder,
Do alto dum espigão,
Ouvi um sino gemer...
A mais linda paisagem,
Que nunca hei de esquecer
A Matriz de Pirapora,
Na margem do rio Tietê!
Até a porta da igreja,
Carro de boi nos conduz.
Levei minha mãe no colo,
No altar cheio de luz.
Ali mesmo ajoelhei,
Fazendo o Sinal da Cruz,
Beijei a imagem sagrada
Do abençoado Jesus...
E a cura milagrosa deu-se ali, na mesma hora:
Minha mãe saiu andando daquela igreja pra fora!
Foi um milagre da fé, juro por Nossa Senhora
Bendito seja pra sempre Bom Jesus de Pirapora!

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GERALDO FILME

Outro artista famoso é o sambista Geraldo Filme (nascido em São João da Boa Vista, em 1928 e morreu em São Paulo, em 1995), que já mereceu até um documentário num curta metragem do cinema nacional.

Geraldão conheceu com a avó, os cantos de escravos que influenciaram sua formação musical. Embora haja outros pais do «samba paulista», sem dúvida, Geraldo Filme se não foi o pai, foi o seu antecessor.

A casa onde o Geraldo Filme se reunia com o pessoal de Pirapora para compor e cantar samba, ainda está de pé, mantida pela prefeitura local, passando a se chamar «Espaço Cultural Samba Paulista Vivo Honorato Missé».

O local abriga uma exposição permanente sobre o Samba Paulista e o cotidiano da cidade, além de ser palco de manifestações artísticas e eventos. De São João da Boa Vista pra Barra Funda, daí até Pirapora, de volta ao Brás, Glória, Peruche e finalmente pro Bexiga.

Vendendo marmitas; preparadas pela mãe, versando e dando pernadas (passava bom tempo nas rodas de samba e de «tiririca» [capoeira], que os carregadores improvisavam no Largo da Banana, na Barra Funda), Geraldo Filme de Souza cresceu e se formou nas ruas de São Paulo.

Ainda garoto encontrou na música sua forma de expressão, sendo respeitado como compositor e intérprete. Geraldão da Barra Funda, como era conhecido, teve papel importantíssimo no desenvolvimento do carnaval e das escolas de samba de São Paulo.

Fundou cordões, blocos e atuou como diretor de carnaval da Vai Vai, onde compôs sambas que se consagraram como verdadeiros hinos da escola: «Quem nunca viu o samba amanhecer, vai no Bexiga pra ver».

Apesar de sua popularidade no meio sambístico, Geraldo Filme não tinha representatividade na mídia ou entre as gravadoras da época. Contemporâneo de Oswaldinho da Cuíca, Adoniran Barbosa e Germano Mathias (nos dias atuais, só o Germano Mathias ainda está vivo), o que hoje conhecemos de suas composições é fruto de um único disco, lançado em 1980, quando já contava 52 anos de vida, onde gravou suas canções mais conhecidas, entre elas: «Vai cuidar de sua vida», «A morte de Chico Preto», «Silêncio no Bexiga», «Tradição» e «Tristeza do sambista» entre outras.

Nos últimos anos de vida, Geraldo Filme trabalhou na organização do Carnaval na cidade de São Paulo, tornando-se uma referência da cultura negra paulistana. Um aspecto pouco estudado de sua obra é a releitura do samba rural paulista («Batuque de Pirapora» vide NA, «Tradições e Festas de Pirapora»), que trazem elementos dos jongos, vissungos e batuques ensinados por sua avó.

Segundo apurado em documentário da TV cultura de São Paulo (ENSAIO), Geraldo Filme ia quase todos os fins de semana à Pirapora em companhia da mãe, pois na cidade morava uma sua tia, irmã de sua mãe; que também gostava de música e freqüentavam a casa onde hoje se situa o Espaço cultural Samba Paulista, onde Geraldo fez os primeiros contatos com um tipo de música que o inspirou para o resto de sua vasta e producente vida artística.

Trecho do documentário sobre Geraldo Filme

NA: O leitor pode tomar conhecimento da música que Geraldo Filme fazia em Pirapora, acessando o «Batuque de Pirapora» no site www.sambadobau.com.br

e aqui abaixo (N.Redação)

Batuque de Pirapora - Geraldo Filme

Sobre a Dupla Curió e Canarinho

Olá Tião Camargo, bom dia!

Sou Chefe de um restataurante na cidade de Toronto/Canada e estavamos entre os 100 restaurantes escolhidos a partcipar do um festival de comidas no inverno.
Realmente sei algumas coisas sobre as antigas duplas "Curió e Canarinho, Chitãozinho e Chororó – não se trata da atual dupla - Chitão e Chitãozinho e outras mais, das quais meu pai (Orlando Augusto de Oliveira fez parte), tenho alguns artigos de jornais, fotos da época e outras coisas mais. Infelizmente estes artigos e arquivos encontram-se  em Belo Horizonte/MG, minha irmã tem os guardado. Devo estar de volta ao Brasil no ano que vem, se Deus quiser! Voce também poderá entrar em contacto com o Sr. Olavo (Sucupira), ele sabe muito sobre este assunto. Meu pai faleceu em 2001, outra opção é minha irmã, caso queira entrar em contato com ela, deixe me saber.
No mais, meu muito obrigado e Deus o abençõe!

Abraço, Jackson Lara de Oliveira...

> Date: Tue, 31 Jan 2012 09:01:57 -0200

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Folclorista, Violonista e Radialista Eli Camargo.

Folclorista, Violonista e Radialista Eli Camargo.

Gente, é provável que vocês não conheçam essa gigante de Goiás e do Brasil. O mais vergonhoso é admitir que não seria uma vergonha não conhecê-la. Pois é gente pouco falada em praias não conhecedoras do seu trabalho e olha que essa nobre dama já teve discos lançados na África do Sul, Alemanha, Portugal e Itália. Ely nasceu em Goiânia e abraçou a música folclórica do nosso país com entusiasmo desbravador. Trabalho duro e pouco recompensado.

Em sua vida ergueu um dos mais monumentais trabalhos sobre nossa cultura. O que certamente marcará nossa história para sempre. Mas nunca colheu glórias pela tarefa inigualável. Granjeou na verdade a alegria sem igual e às vezes muito solitárias de ver um trabalho tão difícil cumprido e registrado com tão delicado esmero.

Tanto pela visão penetrante das expressões populares que apresenta, quanto pelo repertório irretocável e a cooperação mais que relevante de músicos excepcionais. Coisa de deixar muito "gênio" da MPB com aplausos embasbacados.

Seu pai foi o maestro e regente da Orquestra Sinfônica de Goiânia Joaquim Edison Camargo. Ainda criança cantou em coros de Igreja e atuou na Rádio Clube de Goiânia. Ex professora, formou-se farmacêutica. Em 1960, participou do Trio Guairá de Goiânia. Em 1961 e no ano seguinte, apresentou-se no programa que produzia na Rádio Brasil Central, retransmitido em Brasília pela Rádio e TV Nacional.

Em 1962, mudou-se para São Paulo e assinou seu primeiro contrato com a Rede Tupi de rádio e televisão. No mesmo ano, gravou "Caninha verde", do folclore paulista, no LP "Canções da minha terra", pela Chantecler. No mesmo ano, gravou o arrasta-pé "Santo Antônio tenha dó", de Maria do Rosário Veiga Torres, e o samba caipira "Marido pelado", de Teddy Vieira e Almayara. Em 1963, gravou a valsa "Tempos passados", de Zica Bergami, e a moda de viola "Lá na venda, lá na vendinha", de Lourdes Maia.

Em 1964, gravou o LP "Folclore do Brasil", em que interpretou cantos de trabalho nas plantações de arroz, de São João da Boa Vista, e um canto de ferreiro, de Botucatu. Como pesquisadora de folclore reuniu em suas viagens pelo Nordeste e Norte um grande acervo pessoal. Considerada uma das principais intérpretes do folclore brasileiro. Em 1967, participou com grande sucesso da Semana Cornélio Pires realizada na cidade paulista de Tietê.

Em 1968, gravou o LP "Canção da guitarra", com músicas de Marcelo Tupinambá. Ao longo da carreira gravou cerca de 15 LPs, além de compactos. Teve discos lançados na África do Sul, Alemanha, Portugal e Itália. Foi integrante do Conselho da Secretaria Municipal de Cultura de Goiânia. Na Rádio da Universidade Federal de Goiás apresentou os programas "Brasil de canto a canto", "Eli Camargo convida" e "Alma brasileira". Em 1978 lançou o LP "Minha terra", pela Chantecler/Alvorada no qual interpreta entre outras, "História triste de uma praieira", "Minha terra" e "Vida marvada".

O disco foi saudado com entusiasmo pelo crítico José Ramos Tinhorão em crônica pelo Jornal do Brasil. Um de seus grandes sucessos como compositora foi "O menino e o circo", gravada por Cascatinha e Inhana.

No final dos anos 1990, Ely Camargo passou a trabalhar na Secretária Municipal de Cultura de Goiânia. Seus trabalhos mais recentes são os CDs "Cantigas do Povo - Água da Fonte" (que conta com a participação especial da Banda de Pífanos de Caruaru e de um Coral regido por Sérgio Vasconcellos Corrêa), lançado em 1999 pelas "Edições Paulinas", além do CD "Lembranças de Goiás", um "disco-tributo" que Ely gravou em 2001 por ocasião do centenário de nascimento de seu pai, e o CD "Ely Camargo e Roberto Corrêa - Canções Brasileiras", lançado em 2009. Seus discos foram lançados em Portugal, África do Sul, Alemanha e Itália.

Fontes:

http://www.programaraizes.net,

www.boamusicaricardinho.com,

http://nopaudagoiaba.blogspot.com,

http://comissaogoianadefolclore.blogspot.com,

http://www.recantocaipira.com.br/ely_camargo.html

Origem da Viola

Viola Caipira

Foto: http://www.mundomax.com.br/blog/instrumentos-musicais/viola-caipira-a-viola-brasileira/

A Viola Cabocla

Este trabalho, de autoria do Professor Alceu Maynard de Araújo, foi publicado em artigos, na Revista Sertaneja de números 4, 5, 6, 7, 8, 9, 13 e 14, de julho de 1958 a maio de de 1959. Por sua importância para a divulgação deste instrumento tão valioso para a cultura sertaneja, este artigo está sendo transcrito na íntegra, inclusive as fotos. Estas estão com baixa qualidade devido a deterioração do papel, devido a idade do mesmo (45 anos). Ao final do trabalho, veja uma pequena biografia do Prof. Alceu.

Origem da Viola

A viola é por excelência um instrumento musical do meio rural, sendo muito disseminada em nosso país, e encontrada nos mais longínqüos rincões do sertão brasileiro.

Sua origem é remota. No baixo latim encontramos: vidula, vitula, viella ou fiola, mas nenhum destes vocábulos serviu para designar a nossa viola. Tratava-se de um violino pequeno, um tetracórdio. Era a viola de arco, uma espécie de rabeca. Mas a nossa viola é também bastante idosa, veio de Portugal e ao aclimatar-se em terras brasileiras sofreu algumas modificações, não só em sua anatomia como também no número de cordas.

É a lei da evolução. Evoluiu tanto que nós conhecemos no Brasil cinco tipos distintos de violas de cordas de aço: a paulista, a goiana, a cuiabana, a angrense e a nordestina. Dos tipos mencionados, estudaremos apenas a paulista e a angrense pelo fato de serem as mais conhecidas e encontradas com maior freqüência em nosso Estado.

A viola é o instrumento fundamental do "modinheiro", é cordofônio, pois suas cordas comunicam sua vibração ao ar. Serve para acompanhamento de canto e dança. Pode ser tocada só, executando solos, em dupla, o que é muito comum ou para acompanhamento.

Ao lado da viola, porém com menor freqüência, encontramos a rabeca, também oriunda de Portugal. Parece que a rabeca foi no passado a companheira inseparável da viola, sendo atualmente olvidada, quase que só encontrada no litoral. A rabeca não dispensa a companhia da viola, pois não costumam fazer solos de rabeca. Completando a enumeração de cordofônios tradicionais, preciso é mencionar o cocho, viola rudimentaríssima, hoje completamente esquecida. Dele tivemos conhecimento ocasionalmente em Tietê, por ocasião de um Cururu rural, num pouso da Bandeira do Divino Espírito Santo, em outubro de 1947.

A urbanização da viola, isto é, a sua entrada nos palcos e hoje nos auditórios das estações de rádio e televisão, devemo-la ao saudoso folclorista paulista Cornélio Pires, que em 1910 organizou um programa de violas no palco da cidade de Tietê e pouco mais tarde, num festival em São Paulo, no então Mackenzie College.

O violão, que na urbanização da viola está ao seu lado, goza atualmente na cidade tão larga difusão que podemos dizer que é o instrumento do meio urbano. O violão já foi largamente desacreditado. Tocador de violão era sinônimo de vagabundo. Graças ao velho Catulo da Paixão Cearense, o violão hoje anda nas mãos das "granfininhas". E que realeza tem um violão enfeitado pela Inezita Barroso! Bem, voltemos à nossa viola.

Quando os portugueses aqui chegaram, ao lado do desejo de trabalhar na dura lide de povoar e colonizar as terras cabralinas, trouxeram também algo que encheria os momentos de lazer. As danças e os cantos camponeses, a viola, a rabeca, o adufe, o triângulo, a tarola, o culto a São Gonçalo, as Folias de Reis e do Divino Espírito Santo e os votos de comer e beber na Igreja, estes já codicilados e condenados nas Ordenações Filipinas. Na terra além-mar eles iriam viver e, as danças, cantos, cerimônias religiosas contribuíram para anular a nostalgia.

A viola de arame, de Braga (Portugal) ou viola braguesa, ao chegar ao Brasil parece não ter evoluído muito, ao ponto de vista social, como aconteceu com sua irmã rabeca, que tomando ares civilizados, com roupagem mais sólida, tornou-se o aristocrático violino que subiu para os coros das igrejas católicas, deixando cá fora, nas soleiras das portas das choupanas, aquela que é mais rica em número de cordas, porém pobre nos atavios, feita até hoje de tábuas de caixão.

Não possuímos um regular acervo de elementos para comparar a antiga viola braguesa com a atual viola caipira. No presente trabalho não temos em mira apresentar os resultados de uma pesquisa histórica desse instrumento, como nos sugeriu Mário de Andrade, em 1943, mas deixamo-lo em andamento. Estamos ainda colhendo documentação. Apenas queremos afirmar que si fora instrumento popular entre os campônios portugueses, qual a guitarra, aqui é também popular entre os caipiras e caiçaras.

A viola veio da cultura ibérica, onde parece ter surgido por influência dos mouros. Gustavo Pinheiro Machado (progenitor da aviadora Grésia Pinheiro Machado) era um virtuose da viola e afirmava em uma moda de sua autoria que "a viola tinha pais portugueses, o violão tinha pais espanhóis, ambos eram netos de mouros e bisnetos de hebreus".

Não há dúvida que tenha sido introduzida pelos portugueses. Gabriel Soares de Souza, a ela se refere. Joaquim Ribeiro, no seu precioso "Folclore dos Bandeirantes" fala sobre a moda... e não há moda sem viola. Nos mais antigos documentos que temos manuseado, nos inventários do Arquivo do Estado, sobre a viola há apenas referência determinada e jamais qualificativa. O mesmo se dá com a "rabeca com seu arco de crina do dito instrumento de folia". Cremos entretanto que a vida nômade dos sertanistas e bandeirantes não impedia o uso da viola. Trago para estas páginas o testemunho insuspeito de meu avô materno, Virgílio Maynard, tropeiro, que dos 12 aos 60 anos anos de idade, isto é, desde 1870 palmilhou as ínvias estradas do Rio Grande do Sul a São Paulo.

Contava que nunca vira seus peões e camaradas viajarem sem sua viola, quase sempre conduzida dentro de um saco, amarrada à garupa de seu animal vaqueano. Não havia pouso que após o trabalho azafamado do dia, não tocassem antes de dormir o sono reparador. Quando a zona era infestada por animais ferozes e havia necessidade de dormir com o fogo aceso noite a dentro, o violeiro, no interregno de lançar achas ao braseiro, plangia sua viola dolentemente.

As violas mais antigas que temos tido conhecimento são feitas à mão por algum "curioso". É recente sua industrialização. As violas feitas em série e vendidas a baixo custo são inferiores em som às feitas à mão. Tiveram porém, o privilégio de desbancar aquelas, sendo hoje raríssimo encontrar "fazedores de viola". Embora o violeiro dê preferência à feita à mão, economicamente se vê obrigado a comprar a industrializada.

E digno de nota, estas são vendidas nas "Mecas" do catolicismo romano em nosso Estado. Assim podemos ver em Pirapora do Bom Jesus, Aparecida do Norte, Bom Jesus de Iguape e Bom Jesus dos Perdões, onde os romeiros, na sua maioria gente da roça, aproveitam para cumprir suas promessas e fazer sua "comprinha". Nessa Mecas, ao lado das belíssimas manifestações de fé ou histeria coletiva, da sinceridade, da promiscuidade que a falta de acomodações facilita, da jogatina "inocente", há manifestações riquíssimas do folclore: o linguajar característico, danças com indumentária garrida, trajes e costumes diferentes, oferecida de ex-votos que em geral são peças esculturadas ou pintadas, enfim se põe em contato com um mundo de coisas que bem merecem um estudo acurado de um sociólogo. Nos quatro lugares acima mencionados, pudemos em 1946,1947 e 1948, constatar a venda de violas industrializadas e as raras feitas à mão e ao mesmo tempo confirmar a diferença que havíamos notado entre a viola de beira-mar e a de serra-acima.

A linha divisória seria tomada pela Serra do Mar, pois este elemento geográfico também delimita em parte os costumes, nos dando marcantes diferenças entre o caiçara do litoral e caipiras do interior. Comprovamos o fato da influência geográfica nos usos e costumes com o fato de em Xiririca, Jacupiranga, Miracatu, Sete Barras, Registro e mesmo Iporanga, serem bem distantes do litoral, mas muitos de seus usos e costumes serem idênticos aos de Cananéia e Iguape.

Há grande identidade na linguagem, nas danças como o Fandango, Congadas, Folias de Reis e também no uso da viola ao lado da rabeca. Até nos implementos das danças, como seja o tamanco para o fandango rufado, os feitos no litoral são idênticos, até na escolha da madeira e fixação da contra-alça, aos das cidades marginais do Rio Ribeira.

É claro que os acidentes geográficos, os meios de comunicação influenciem os usos e costumes. A facilidade de compra de um instrumento contribui para que se generalize a sua adoção. Assim é que, antigamente, os moradores de Cunha, que levavam dois dias para ir até Guaratinguetá ou Aparecida, e apenas um para ir até Parati, no litoral fluminense, adotaram a viola do tipo angrense ou do litoral.

É largamente disseminado como o é no litoral o uso da rabeca, até mesmo na dança de Moçambique. Com o estabelecimento da estrada de rodagem, a ligação diária por meio de ônibus entre Cunha e Guaratinguetá até os moradores de Taboão, encostados na Serra do Mar, preferem hoje adquirir suas violas em Aparecida do Norte. Aliás, fenômeno idêntico podemos constatar em São Miguel Arcanjo, no sul do Estado.

Devido ao fato de descerem anualmente, por ocasião das romarias de 6 de agosto ao santuário de São Bom Jesus de Iguape, para o cumprimento de promessas, encontramos alguns traços da cultura material litorânea entre os caboclos dessa zona. Zona que no passado esteve circunjacente às estradas de tropeiros. Mas anotamos a presença de panelas de barro do Peropava, bairro de Iguape, e até a viola do tipo do litoral, feita em Guaxixi, bairro de Cananéia, vendida em Iguape.

Fonte de pesquisa :http://www.widesoft.com.br/users/pcastro4/viola.htm

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Bazar da Pechincha

Gostaria de pedir para que vocês divulgassem um bazar da pechincha que vai acontecer no dia 11/02/2012, a partir das 10 horas , no bairro da Nova Bauru, na Rua Laurindo Limão, 1-42, antiga Rua 08  em prol da Igreja Batista de Bauru. Obrigada pelo apoio ..

dinha23_sales@hotmail.com