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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A VERDADEIRA MÚSICA DE RAIZ

I - INTRODUÇÃO

Iniciaremos com algumas considerações de caráter geral, que permitirão o entendimento do movimento musical do interior, como um todo.
O movimento rural é uma forma de manifestação cultural baseada em usos e costumes populares e regionais, retratando a vida e o pensamento da população do campo e/ou do interior do país. Tal manifestação cultural não sofreu, em suas bases, influências outras que não a dos habitantes da terra descoberta e de seu colonizador/povoador. Assim, a música da terra, como toda manifestação artística, surgiu de uma necessidade da sociedade rural de expressar através de canções, suas venturas e desventuras, alegrias e tristezas, prazeres e dores.

Lógico que os temas estão vinculados à sua realidade de vida, seus modos e costumes, bem como a seus princípios éticos, religiosos e morais. Dentro desta ótica, podemos afirmar que suas raízes são genuinamente nacionais e sua proximidade ao country americano se dá, exatamente, por estas razões, pois lá como aqui, o movimento está intimamente ligado a terra e a regionalismos, resultantes da caminhada em direção ao interior, em busca de melhores condições de vida, e porque não dizer, de riqueza. De qualquer forma, quem se aventurou, em passado longínquo, pelas terras virgens do Brasil e por aqui se estabeleceu, acabou sendo responsável pela formação de uma cultura própria, típica e regional.
Quem soube, muito bem, retratar este modo de vida, associado à natureza, foi o poeta Castro Alves. Daí, vale mais à pena transcrever o poema do que continuar tentando explicar.

Crepúsculo Sertanejo

A tarde morria! Nas águas barrentas
As sombras das margens deitavam-se longas;
Na esguia atalaia das árvores secas
Ouvia-se um triste chorar de arapongas.
A tarde morria! Dos ramos, das lascas,
Das pedras, do líquen, das heras, dos cardos,
As trevas rasteiras com o ventre por terra
Saíam, quais negros, cruéis leopardos.
A tarde morria! Mais funda nas águas
Lavava-se a galha do escuro ingazeiro...
Ao fresco arrepio dos ventos cortantes
Em músico estalo rangia o coqueiro.
Sussurro profundo! Marulho gigante!
Tal vez um silêncio!... Tal vez uma orquestra...
Da folha, do cálix, das asas, do inseto ...
Do átomo à estrêla... do verme - à floresta!...
As garças metiam o bico vermelho
Por baixo das asas - da brisa ao açoite;
E a terra na vaga de azul do infinito
Cobria a cabeça co'as penas da noite!
Somente por vezes, dos jungles das bordas
Dos golfos enormes daquela paragem,
Erguia a cabeça surpreso, inquieto,
Coberto de limos - um touro selvagem.
Então as marrecas, em torno boiando,
O vôo encurvavam medrosas, à toa...
E o tímido bando pedindo outras praias
Passava gritando por sobre a canoa!..

II - AS ORIGENS DA MÚSICA

Voltando no tempo, podemos deduzir, pelas informações históricas registradas, que a música tenha surgido no meio rural, provavelmente em época próxima ao ano 2000 AC, entre os chineses ou os hindus. Independentemente disto, tudo indica que foram os egípcios que elevaram a música ao status de "popular", difundindo-a entre o meio rural, a partir de dedicações a deidades vinculadas às boas safras agrícolas. Desta forma, a arte musical egípcia influenciou outras culturas, responsáveis pelo processo de civilização mundial e, como o campo veio antes da cidade, esta era uma música rural.

Coube aos gregos desenvolver o movimento de racionalização da arte musical, criando, inclusive o termo mousike (de Musas, as 9 filhas de Zeus, responsáveis pelas artes). Anteriormente, ao que parece e se tem notícia, a música era transmitida de forma direta, sem registro específico. Foi a partir da Grécia que se pôde construir a história da cultura contemporânea. Através dos poetas ("aquele que faz"), que punham a música a serviço das palavras, pode-se depreender que sua divulgação tenha ganhado notoriedade pública. Da mesma forma, a conjugação da música, poesia e dança tinham em comum um ponto: o ritmo (rhytmós - movimento regrado e medido).

E assim foi-se passando a história, até que, às vésperas dos grandes descobrimentos, a música já era uma manifestação cultural urbana, posto que ao camponês (a quem cabia servir ao senhor, principalmente em épocas de guerras), não era dado o conhecimento da existência de uma harmonia musical acadêmica e de instrumentos musicais, poesia e danças criadas entre as paredes dos palácios. Porém, no campo, as danças típicas, a poesia, o teatro e a música (com sua forma exclusiva), eram valores culturais difundidos, com utilização de instrumentos, peculiaridades e escala próprias.
Como, a essa altura, já entramos no período histórico dos grandes descobrimentos, podemos falar do desenvolvimento da música rural brasileira.

II - AS ORIGENS DA MÚSICA RURAL BRASILEIRA

O Brasil do descobrimento tinha, ao que se supunha, uma população indígena de cerca de dois milhões de habitantes, com os quais teriam os descobridores de se defrontar, no processo de povoação ou colonização (discussão infindável). O certo é que, de uma ou de outra forma, a exploração das riquezas da terra estava na mente dos descobridores, visto que sua civilização vivia do comércio e, para tanto, a convivência com os silvícolas se impunha. Até mesmo porque, para o estabelecimento de uma economia de subsistência era necessário envolvê-los e aos seus relativos conhecimentos de plantio. Assim, deste relacionamento, surgiram técnicas comuns de formação de lavoura, desenvolvimento de engenhos e fazendas, voltadas, além da subsistência, para a exportação.

Na manifestação musical, apesar da influência do colonizador, marcou presença a cultura indígena, através dos urucapés, guaús, parinaterans e tocandiras, de origem guaicuru, xavante, guarani ou bororo. Segundo a história, Anchieta, o Apóstolo do Brasil, teria se valido de uma dança religiosa indígena, o caateretê, para tentar convertê-los ao cristianismo. Teria, ainda, introduzido esta dança nas festas de Santa Cruz, Espírito Santo, Conceição e Gonçalo, num hábito que até hoje persiste nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso, Pará e Amazonas, sob a nomenclatura de catira, cujos elementos rítmicos da viola, do sapateado e do palmeado, lhe foram indexados ao longo dos anos. Sendo cantado em versos, o caateretê propiciava o surgimento de cantores e trovadores populares.

Quando os portugueses e negros proporcionaram o surgimento de outras manifestações musicais oriundas de suas próprias culturas, já existiam por aqui gêneros resultantes do cruzamento cultural português-índio. Os primeiros índios, com os quais os portugueses travaram conhecimento foram os tupis, que se espalhavam, com suas oito famílias e dezenas de línguas e dialetos, do Rio Grande do Sul ao seu homônimo do Norte. Assim, desde o século XVI, os herdeiros deste tipo de cruzamento étnico, mestiço de brancos e índias, apesar das controvérsias, pode ser definido como caboclo (ou cabocolo, como se dizia na época). E esta controvertida figura, descrita como indolente e pouco relacionado com os colonos, ganhou esta pejorativa conceituação, que não condiz com a realidade.

Já na segunda metade do século XIX, calcula-se que existissem no Brasil menos de 150.000 índios puros, deduzindo-se que o restante, ou foi exterminado pelo colonizador/povoador ou se hajam misturado ao branco e ao negro, ensejando uma nova espécie humana culturalmente distinta. Desta miscigenação surgiram grupos distintos, sendo que entre os caboclos concentrados nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul, inúmeros traços de semelhança física e cultural são notáveis, generalizando o que se convencionou chamar de caipira, uma denominação tipicamente paulista.

Para muitos filólogos, caipira é expressão de etimologia desconhecida, porém, segundo Silveira Bueno, o vocábulo é resultado da contração das palavras tupis caa (mato) e pir (que corta), resultando em "cortador de mato". Para Câmara Cascudo, caipira é o "homem ou mulher que não mora na povoação, que não tem instrução ou trato social, que não sabe vestir-se ou apresentar-se em público". Inquestionavelmente, este é um tipo rural, caboclo, mas no sentido pejorativo, depreciativo. Assim também se posicionou Monteiro Lobato ao criar seu personagem Jeca Tatu. Como o que nos interessa não são os estereótipos e sim a origem da música rural, achamos que basta o que já foi dito, para situar o ilustre visitante deste site no ambiente rural, fonte de nossa música de raiz.

Em muitas citações do século passado, sobre o interior do Brasil, comentava-se sobre diversos tipos de festas musicais típicas, bem como sobre manifestações musicais associadas aos condutores de boiadas ou tropeiros. Essas cantigas e desafios, sempre em tom de alegria, consistiam em interpelações de um boiadeiro para outro e eram uma derivação de dois gêneros tipicamente portugueses. A cantiga (do latim canticula – cançãozinha), remonta ao século XIII, com acompanhamento de instrumento de cordas, chamado no século XVIII de "poesia cantada", formada de redondilhas ou de versos menores que estas, dividida em estrofes iguais, com andamento melancólico e concentrado.

O desafio, sempre representou em Portugal, um gênero musical baseado no canto de improviso e alternativo, com outras pessoas provocando o desafiante, até que se proclamasse o vencedor. Este tipo de arte, muito divulgado entre nós, caindo no agrado popular, acabou se alastrando pelo país, de norte a sul.

Já no século passado, muitos narradores testemunharam várias formas de gêneros musicas oriundos do campo. Assim são as descrições sobre as "vésperas de São Pedro", quando todos que possuíam um Pedro na família se sentiam na obrigação de acender uma fogueira diante da porta e soltar rojões, disparar pistolas, morteiros ou mosquetes. Tratava-se, também, de uma manifestação adaptada da tradição portuguesa, acompanhada de acordeona (harmônica – sanfona), viola (caipira, com certeza) e machete (antecessor de nosso cavaquinho).

À dança cantada dava-se o nome de cururu (ou caruru), cujo acompanhamento instrumental se fazia através de uma viola e de um pandeiro basco. Esta manifestação ainda existe em alguns locais no interior de Mato Grosso, Goiás e São Paulo e é uma espécie de desafio, com a diferença que o provocador fica de fora, instigando os contendores ao litígio, até que saia um vencedor. Vê-se, pois, que mesmo modificadas e adaptadas por vezes às tradições indígenas ou caboclas, a influência portuguesa era notável.

No início do século XX, a literatura sobre o Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país começa a mencionar danças como o recortado (derivado do cateretê), o fandango (de origem ibérica e com várias coreografias) e a toada (forma livre de cantiga, ligada à pura forma musical e não à disposição poética). Era a força da música rural, criativa, evolutiva, diversificada, contrapondo-se aos modismos musicais das capitais, sempre importados do exterior, principalmente da Europa.

IV - OS INSTRUMENTOS MUSICAIS

Foi de suma importância a participação de instrumentos musicais portugueses na criação da música rural brasileira, principalmente nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul. Destacamos aqui a CONCERTINA (espécie de harmônica ou sanfona), a GUITARRA e a VIOLA. Os índios, pelo que se tem notícia, sempre deram preferência a instrumentos de sopro para musicar seus ritmos. Porém, maravilharam-se com o som da viola portuguesa, fazendo dela surgir o que mais tarde se conheceu como viola caipira.

A sanfona, como curiosidade, teve maior influência e participação na música sertaneja nordestina e a viola na música caipira do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país, onde a moda de viola, oriunda das modas portuguesas da segunda metade do século XVIII, tinha como característica principal o canto a duas vozes, tão marcante hoje na música rural brasileira.

V - O INÍCIO DA DIVULGAÇÃO

Cidade e campo: duas economias diversas e interdependentes. Nem o homem do campo pode prescindir das modernidades industriais, nem o homem da cidade pode prescindir da lavoura e criação. Se existem motivos para considerar entristecedora a situação das populações urbanas (saneamento deficiente, habitações insuficientes e de qualidade inferior, dificuldade de empregos, violência, drogas, etc.), também no campo, salvo exceções, os métodos ainda são primitivos. Porém, o homem do campo na Brasil soube sobreviver às custas de sua própria resistência física, preso a um sentimento enraizado de amor à terra, sem nunca ter renunciado às suas tradições. E são essas tradições, como a linguagem própria, o vestuário típico e as tendências culturais, que contribuem decisivamente para a criação de uma espécie de música inconfundível. E é desse tipo de música que estamos falando. Não devemos confundir música rural com música - digamos assim -"brega".

Esta última é o resultado do aproveitamento de dois filões (sem que haja obrigatoriedade de misturá-los) de manifestação musical tradicional (a música rural e a música internacional, entendida em toda a sua extensa variedade) e se destina, primordialmente, a satisfazer às exigências, gostos, anseios (ou o nome que se queira dar) das populações carentes, que habitam a periferia das cidades. E poder-se-ia travar um embate filosófico interminável sobre a questão. Não é este nosso intuito. Queremos falar daquele outro tipo de música, que guarda profunda relação com a tradição que a gerou: a música rural, ou música caipira. E passaremos a tratar do assunto, com o foco no século XX.

Já deixamos claro, anteriormente, que a música rural abrange vasta extensão territorial, pois assim é o Brasil, e que ela pode ser entendida delimitando-se sua área de ocupação. Desta forma, vamos limitar este resumo à música rural que envolve, principalmente, os estados das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul. E, mais ainda, centraremos nosso foco no estado de São Paulo.

A partir de São Paulo e seu interior, em especial, definiu-se o tipo característico denominado "caipira", espécie de caboclo diferente dos oriundos das regiões norte e nordeste. Na própria capital, no início deste século, pouco se sabia sobre este personagem interiorano, além de algumas facetas mais características, desconhecendo-se suas danças, músicas e poesias típicas.

Foi Cornélio Pires (1884 - 1958), natural de Tietê, o primeiro a mostrar interesse em divulgar o caipira e sua criatividade autêntica, na capital. Em 1910, encenou na Universidade Mackenzie um velório típico do interior paulista. A encenação incluía interpretes autênticos de cururu e cateretê, além de cantadores e dançadores. A apresentação foi um sucesso e abriu espaço para outras, que se seguiram, graças a obstinação de Cornélio. E assim, quatro anos mais tarde, proferiu diversas palestras na capital, sobre a matéria, acompanhado de exemplos vivos desta arte desconhecida, mostrando o que já se espalhava por outras regiões além das fronteiras do estado, caracterizando, enfim, uma música e uma poesia paulistas, diferente de tudo o que se criava na capital, que, na verdade, nada mais fazia do que absorver o que vinha do Rio de Janeiro e, em última instância, da Europa, passando por aquele importante centro cultural.

Em 1922, realizaram-se no Rio de Janeiro as festividades de comemoração do primeiro centenário da Independência do Brasil e entre tantas atividades programadas, Cornélio foi escalado para promover diversas manifestações da cultura caipira, sendo-lhe reservado espaço seleto para apresentação de suas palestras e exibições. Foi, no mínimo, curioso que se lhe reservasse o auditório da Associação Brasileira de Imprensa para tal, demonstrando o interesse que seu conhecimento sobre este tipo de cultura tinha alcançado. E suas apresentações, com muitas novidades e curiosas revelações, alcançaram êxito surpreendente, neste ano em que se realizou a tão lembrada Semana de Arte Moderna. Foi a oportunidade que o Rio de Janeiro teve, de conhecer o que séculos de aculturação índio-portuguesa produziram no interior de São Paulo.

VI - A MÚSICA E SEU REGISTRO EM DISCO

Até 1928, percebe-se a ausência, praticamente total de música caipira nos catálogos das gravadoras. Tudo fruto de uma intolerância urbana, existente nas grandes capitais, em relação à música caipira. Por esse motivo, somente em 1937, o clássico do século da música rural, Tristezas do Jeca, foi gravado por Paraguassu, com o selo Columbia (Continental, a partir de 1947), mesmo tendo sido composta por Angelino de Oliveira, em 1925. Existiam, à época, tres gravadoras no Brasil: Odeon, Victor e Columbia (esta em São Paulo).

Colocada a dificuldade, abre-se o espaço para um curioso e importante depoimento, extraído, na íntegra, do livro "Capitão Furtado - Viola Caipira ou Sertaneja?", de J. L. Ferrete, publicado pela FUNARTE em 1985, que dá bem a idéia de como a música caipira iniciou sua trajetória no mundo fonográfico, pelas mãos de Cornélio Pires:
Estando em São Paulo, onde também se encontrava instalada a sede de uma das três mencionadas gravadoras - a Columbia, representação local da Byington & Company -, Cornélio Pires não teve escolha senão optar pela que lhe propiciava maior proximidade.

Por incrível que pareça, no entanto, ninguém falava português inteligível na Columbia da Byington & Company. O diretor era americano - Wallace Downey - e só com ele se tratava negócios em fase preliminar. Cornélio soube que seu sobrinho Ariovaldo já estava no terceiro mês de aulas de inglês e decidiu valer-se dele como possível intérprete. "Dá pra você descalçar as botas?" perguntou-lhe, nesse sentido atual da "dá pra você quebrar o galho?". Ariovaldo respondeu-lhe: "Olha, quem não arrisca não petisca, eu vou até lá. Se der pra me entender com o homem, muito bem! Se não der, a vergonha maior é dele, que está aqui em nossa terra e não entende o que a gente quer com muito esforço chegar a expressar".
Chegava ao fim o ano de 1928 quando isto ocorreu. E a conversa entre Ariovaldo e Wallace Downey deu certo. Iria, aliás, resultar em algo mais importante no destino do futuro Capitão Furtado, mas este já é um assunto para as próximas linhas.

Downey encaminhou Cornélio Pires ao proprietário da empresa, Byington Jr.. Este, para não fugir à regra geral do preconceito quanto ao ‘não-artístico’, rejeitou a proposta de Cornélio Pires para que gravassem discos com material caipira autêntico em seu selo. "Não há mercado para isso, não interessa". Cornélio insistiu: "E se eu gravar por conta própria?" Aí Byington Jr. tentou opor dificuldades: "Bem, nesse caso você teria que comprar mil discos. Quero dinheiro à vista, nada de cheque, e se o pagamento não for feito hoje mesmo, nada feito". Era uma forma, nota-se, de descarte peremptório ou, em outras palavras, propostas de quem não quer mesmo fazer negócio.

Ariovaldo Pires jamais pressentiu nessa atitude de Byington Jr. qualquer intenção malevolente. Ao contrário: "Byington gostava muito de meu tio - esclarecia ele - e só queria evitar-lhe prejuízos na certeza de um empreendimento (ou investimento) malsucedido , Essa foi, na verdade, a intenção".
Cornélio Pires fez com Byington Jr. o cálculo de quanto custariam mil discos e saiu. Foi à procura de um amigo na rua Quinze de Novembro (centro de São Paulo), um tal de Castro, e pediu-lhe dinheiro emprestado. Retornou logo em seguida à sede da empresa e, entrando na sala de Byington Jr., jogou sobre a mesa deste um grande pacote emaçado em jornal. "O que é issso?", perguntou-lhe Byington espantado. "Uai, dinheiro! Você não queria dinheiro?", respondeu Cornélio. Byington abriu o pacote e não disfarçou seu assombro: "Mas aqui tem muito dinheiro!". "É que, ao invés de mil discos, eu quero cinco mil", explicou Cornélio Pires.

Meio aturdido, Byington Jr. tentou convencê-lo de que cinco mil discos era muita coisa, era "uma loucura". Naquele tempo não se faziam prensagens iniciais em tais quantidades nem para artistas famosos! Cornélio, porém, foi mais além no espanto em que deixou o dono da gravadora: "Cinco mil de cada, porque já no primeiro suplemento vou querer cinco discos diferentes. Então, são 25 mil discos".

Deixando de lado a perplexidade e encolhendo os ombros, Byington Jr. mandou chamar alguns funcionários e pôs-se a contar o dinheiro. Passado o recibo, Cornélio Pires entrou sem rodeios no assunto: "Bem, agora eu é que vou fazer minhas imposições. Quero uma série só minha. Vou querer uma cor diferente: o selo vai ser vermelho. E cada disco vai custar dois mil réis mais que seus sucessos. Mais ainda: você não vai vender meus discos, só eu poderei faze-lo". Byington Jr. deu uma ligeira risada, como que querendo dizer: "Mas, também, quem é que vai querer comprar seus discos?!". E partiu-se para a produção e prensagem. Os discos ficariam prontos mais ou menos por volta de maio de 1929 - no cálculo de Ariovaldo Pires. Como ele passou a ser empregado da Byington & Company (conforme veremos a seguir) nessa época, "mas só foi registrado alguns meses mais tarde, em 7 de agosto de 1929", acredita que o mês de lançamento tenha sido maio.

A série particular de Cornélio Pires (pioneira, ademais, no campo do hoje chamado disco independente ou alternativo) iria sair do jeito que tinha sido combinado: numeração identificável diferente (começando de 20.000, enquanto a Columbia propriamente dita seguia a série 5.000) e selo vermelho (ou "cor de vinho", como prefere José Ramos Tinhorão). O selo, não obstante, conservava a marca Columbia com todas as características particulares dessa etiqueta, fazendo presumir que Byington Jr. não tenha aberto mão da prerrogativa de evidenciar o fabricante. Os cinco discos iniciais da série, além disso, estavam divididos entre o humorístico e o "folk-lórico" (sic), tendo apenas Cornélio na interpretação.
desastre comercial que Byington Jr. esperava não ocorreu. Ao contrário: Cornélio Pires saiu em dois carros na direção de Bauru, fazendo do automóvel de trás uma verdadeira discoteca, tendo por intenção, antes, parar em Jaú. Ao chegar a esta cidade, todavia, já tinha vendido os 25.000 discos que transportava consigo! Teve de telegrafar para Byington e pedir-lhe uma nova prensagem a ser distribuída em Bauru.

A notícia da existência dos discos caipiras de Cornélio Pires no interior do estado alvoroçou o interior paulista, de Jundiaí a Assis, de Sorocaba a São José do Rio Preto. Todos queriam essas gravações, mesmo com preço dois mil réis mais alto. O próprio Byington Jr. reconheceu que havia errado em seus prognósticos e, desenxabido, propôs ao patrocinador da série que sua empresa distribuísse os discos. Muitas lojas da capital os estavam reclamando insistentemente e havia gente que tentava comprá-los na fábrica. "Tio Cornélio era mais idealista que comerciante", contou-nos Ariovaldo. "Após a primeira coleção de cinco discos, autorizou a distribuição destes e dos demais por Byington".

Mais adiante, Cornélio Pires produziria outros 43 discos para sua série (que terminaria em meados de 1930 no número 20.047), não só fazendo uso de artistas amadores ou já profissionais do interior - por exemplo: Sebastião Arruda, Mariano e Caçula, Arlindo Santana, Paraguassu (escondido por trás do pseudônimo de Maracajá), Raul Torres (disfarçado como Bico Doce), Zé Messias e Luizinho -, como também revelando, entre outros, um gênero tipicamente caipira só conhecido em seu habitat: a moda de viola.

Instaurava-se no Brasil, deste modo, a era do disco caipira. Velhos tabus caíram por terra e antigas barreiras preconceituosas vinham abaixo, ao menos por enquamto. Mas, 1929 foi apenas o começo de alguma coisa que se plantava artisticamente, em especial a partir do interior das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país. Havia muito a ser feito e o caminho a percorrer irar se mostrar longo.

VII - O RÁDIO NA DIVULGAÇÃO DA MÚSICA RURAL

Em 1924, de acordo com alguns depoimentos, surge em São Paulo a SQ-B1, Rádio Cruzeiro do Sul. Pouco depois desaparece para ressurgir em 1927, com novo prefixo: SQ-BA. Novo fracasso. Somente em 1929, através do grupo Byington (leia-se: Columbia), sob direção de Wallace Downey, a Cruzeiro do Sul se firma, alicerçada em esquema inédito até então: o patrocínio da Atlantic Motor Oil, que custeou as curtas demonstrações do período de experiência da emissora. Assim, após breve período de testes, ainda no primeiro semestre de 1929, a Cruzeiro do Sul, agora PR-AO (e pouco depois PR-B6), vai ao ar com sua programação definitiva. E assim, com sua homônima do Rio de Janeiro, é criada a primeira rede radiofônica do Brasil: a rede Verde-Amarela.

No dia de sua inauguração, além de diversos espetáculos, entre eles apresentações humorísticas com personagens caipiras, foi interpretada a música "Coração", de Marcelo Tupinambá com letra de Ariovaldo Pires.
Nesta época, São Paulo contava, então, com três emissoras de rádio: a Cruzeiro do Sul, a Record e a Educadora (mais tarde, Gazeta). Elas, juntamente com os teatros e circos, transformariam centenas de intérpretes musicais, que se apresentavam em bares, os chamados "cafés-chantants", em artistas do microfone; mudança que se perpetuou e evoluiu até os nossos dias. Assim, na esteira dessa tendência, seguiram os compositores, músicos e instrumentistas, que através deste tipo de divulgação, associado à evolução das gravações em disco, se tornariam populares: nasciam os ídolos!

Contudo, na florescente capital de São Paulo, a arte popular caipira se mantinha encoberta pelo manto "sertanejo" ou "regional". E esta estilizada forma de apresentar a música rural, por vezes atribuía ao interprete o direito da composição, tomando o lugar do verdadeiro autor. Afinal, a imagem divulgada do caipira era de um ser indolente, ignorante, especialista em fazer os outros rirem, jamais capaz de elaborar peças musicais esmeradas. Contra esta imagem pejorativa, vários cidadãos se insurgiram, abrindo espaço nas gravadoras e nas rádios para intérpretes de música caipira. Assim, emergiram Zico Dias e Ferrinho, Lourenço e Olegário, Lázaro e Machado, Plínio Ferraz e João Michalany, Arlindo Santana e Joaquim, além dos indefectíveis imitadores urbanos do "regionalismo". Foi nessa época que surgiram, também, os primeiros programas humorísticos repletos de quadros típicos, como "Cascatinha do Genaro", na rádio Cruzeiro do Sul e mais tarde transferido para a Rádio São Paulo (1935), uma espécie precursora do "Balança Mas Não Cai". Esses programas, repletos de caricaturas e modismos, eram um verdadeiro redemoinho de estilos e tendências.

Desde então, surgiram diversos intérpretes, todos incumbidos de consagrar este estilo de música que, como já dissemos, teve sua origem em séculos de evolução cultural havida no campo, no meio rural e que, por força da tecnologia existente nos grandes centros urbanos, pôde ter expandido seus limites. Assim, abria-se oportunidade para muitos artistas e, também, para muitos aproveitadores (mas isto é um outro assunto). O importante é que com o disco e o rádio, descortinou-se um infinito leque de oportunidades para a divulgação da música rural que, graças à perseverança de alguns "heróis", pôde ganhar espaço dentro das várias manifestações culturais que compõem a multivariedade cultural brasileira.

VIII - ALGUNS DOS VERDADEIROS DESBRAVADORES

Achamos que é chegado o momento de "dar - mais - nome aos bois", por isso, aqui citaremos aqueles que, a nosso ver, representaram com lealdade o estilo, a cultura e a musicalidade do interior. Porém, para evitar que este resumo, já por demais extenso, se torne infindável, relacionaremos apenas seus nomes, omitindo suas obras (que pode ser assunto para outro trabalho), bem como, antecipadamente, pedimos desculpas pelos possíveis esquecimentos:

  1. Abel e Caim
  2. Alvarenga e Ranchinho
  3. Antenógenes Silva
  4. Arlindo Santana e Joaquim
  5. Belmonte e Amaraí
  6. Biá e Biazinho
  7. Biá e Dino Franco
  8. Borges e Borginho
  9. Brinquinho e Brioso
  10. Cacique e Pajé
  11. Campanha e Cuiabano
  12. Cascatinha e Inha
  13. Craveiro e Cravinho
  14. Dairé e Coleirinha
  15. Duo Ciriema
  16. Duo Glacial
  17. Inezita Barroso
  18. Inhana e Cascatinha
  19. Irmãs Castro
  20. Irmãs Galvão
  21. Jacó e Jacozinho
  22. Juquinha e Junqueira
  23. Laureano e Mariano
  24. Laureano e Soares
  25. Lázaro e Machado
  26. Liu e Léu
  27. Lourenço e Lourival
  28. Lourenço e Olegário
  29. Luizinho e Limeira
  30. Mandy e Sorocabinha
  31. Mariano e Caçula
  32. Mariano e Cobrinha
  33. Mario Zan (acordeonista)
  34. Moreno e Moreninho
  35. Nenete e Dorinho
  36. Nhô Nardo e Cunha Jr.
  37. Norinho e Ediles Nunes
  38. Orlando Silveira (acordeonista)
  39. Palmeira e Biá
  40. Palmeira e Luizinho
  41. Palmeira e Piraci
  42. Paraguassu
  43. Pedro Bento e Zé da Estrada
  44. Plínio Ferraz e João Michalany
  45. Raul Torres e Florêncio
  46. Raul Torres e Serrinha
  47. Serrinha e Zé do Rancho
  48. Silveira e Barrinha
  49. Silveira e Silveirinha
  50. Sulino e Marrueiro
  51. Tião Carreiro e Pardinho
  52. Tibagi e Amaraí
  53. Tibagi e Miltinho
  54. Tonico e Tinoco
  55. Trio Gaúcho
  56. Trio Mineiro
  57. Trio Norte-a-Sul
  58. Trio Ortega
  59. Vadico e Vidoco
  60. Vieira e Vieirinha
  61. Xerém e Bentinho
  62. Xerém e Tapuia
  63. Zé Carreiro e Carreirinho
  64. Zé do Cedro e João do Pinho
  65. Zé do Rancho e Mariazinha
  66. Zé do Rancho e Zé do Pinho
  67. Zé Fortuna e Pitangueira
  68. Zé Tapera e Teodoro
  69. Zico Dias e Ferrinho
  70. Zico e Zeca
  71. Zilo e Zalo

Destaque, também, para o surgimento de uma dupla, que estreou no "Arraial da Curva Torta" (Rádio Difusora de São Paulo - PRF-3 - 1939, programa dirigido por Ariovaldo Pires), substituindo Xandica e Xandoca (que saíram abruptamente do programa), com nome artístico de Rosalinda e Florisbela, que nada mais nada menos eram que Hebe Camargo e sua irmã Estela. 

Curiosidades:

  1. Adoniram Barbosa era viciado em ganhar prêmios no programa de calouros da Rádio Cruzeiro do Sul.

  2. O cantor Blecaute foi revelação do programa "Arraial da Curva Torta" (e seu apelido deveu-se ao humor privilegiado de Ariovaldo Pires e ao fato de à época estar-se desenrolando a II Guerra Mundial, provocando muitas interrupções de energia nas cidades, deixando tudo às escuras).

  3. Ariovaldo Pires lançou, na segunda metade dos anos 50, uma dupla de origem japonesa e que fez muito sucesso com a música "Saudades do Japão", de Horoshi, com letra sua. Eram os "Irmãos Kurimori".

IX - CONCLUSÃO

Quando a música caipira apareceu em discos no Brasil, não existiam profissionais neste campo. Na música urbana, alguns intérpretes faziam sucesso, como Francisco Alves e Vicente Celestino, entre os mais conhecidos. Caipira, no entanto, nem poderia pensar em ganhar a vida com sua arte, que aliás não era considerada arte.

Dentre os primeiros intérpretes, todos revelados apenas por curiosidade, haviam trabalhadores da lavoura (Mariano, Caçula e Ferrinho, Bastiãozinho), um motorista (Zico Dias), um artesão rural (Arlindo Santana) e até um cocheiro com ponto no Jardim da Luz em São Paulo (Raul Torres).

De originalidade todos eles tinham uma coisa em comum: cantavam coisas diferentes do que se ouvia na cidade e sua pronúncia não tinha nada a ver com o dialeto português que a gente culta falava, com nomes e palavras estranhas, diminutivos e outros apelidos que intrigam, até hoje, os estudiosos.

A realidade é que essa arte interiorana viveu escondida por muito tempo, só vindo a ganhar status profissional a partir dos anos 60, com roupagem adequada aos shows urbanos, deturpações e adaptações ao modernismo. E aí a polêmica é imensa, com defensores da modernização de um lado e críticos à descaracterização do gênero, de outro. O fato é que, nos idos de 1929, as gravadoras disputavam com empenho os poucos intérpretes existentes e hoje há que se proceder uma muito bem feita seleção, sob pena de encontrarmos um caipira com sotaque de gringo, tamanha é a oferta de artistas do pseudo gênero. Naquela época, na ausência de intérpretes, gravava-se música caipira instrumental, quase sempre com sanfoneiros, coisa inconcebível nos dias de hoje.

Com a vinda para as cidades de grande parte da população rural (mais de 60%), em busca de melhores condições de vida, a coisa se complicou de vez. Que rumos tomará a música rural?; por que transformações passará?; aonde vai chegar?; são perguntas que não nos arriscamos responder. Deixamos para a história...

"A verdade, e isso é irrefutável, é que temos no Brasil regiões distintas de manifestação cultural, numa desigualdade que, todavia, encontra pontos em comum bem definidos. Por exemplo: a sanfona. Ela sempre foi elemento característico em todas as regiões brasileiras, vulgarizada que se tornou pelos portugueses em trezentos anos de predomínio cultural. Certos tipos de viola, também de origem lusitana, assinalam sonoridades de norte a sul do país em forma homogênea, demonstrando unidade em certos aspectos da desigualdade e coesão na identidade nacional. O caipira do Sul, por exemplo, fala diferente e canta diferente do sertanejo do Nordeste, mas, entre ambos, sempre haverá elementos instrumentais comuns, pois sua formação cultural nunca sofreu impedimentos de barreira alfandegária e tampouco inibições de ordem regional" (J.L. Ferrete).

"Conclusão: a música popular regional de norte a sul, em nosso país, constitui uma única entidade, nesse conceito metabólico de que atende a todos sem parecer de ninguém" (J.L. Ferrete).

Ora, sabemos que os tempos mudaram e que, muito provavelmente, nada escapa a essa mudança, inclusive a música caipira ou rural. O comercialismo se impôs e não lhe sobrou outra possibilidade de sobrevivência que não a de se adaptar aos novos tempos, onde a influência urbana exige uma transformação que lhe dê um perfil mundano e polivalente. Assim, desde quando as Irmãs Castro, no período da II Guerra Mundial, introduziram em seu repertório música "caipira" de outros países, como as mexicanas e paraguaias, Bob Nelson, adotou modismos americanos de cantigas country e Cascatinha e Inhana imortalizaram uma versão da guarânia "India", algo estava mudando. E essa mudança passou a ser apreciada por uma multidão que, sem preferência pelo segmento tradicional urbano do samba, da vertente sofisticada do jazz e do balanço americanizado e internacionalizado do rock, adotou o "sertanejo" como principal manifestação cultural musical.

Certo é que a música rural brasileira passou por uma reformulação geral, trocando o velho chapéu de palha pelos vistosos chapéus de feltro e pêlo, e a falta de dentes foi substituída por um rosto limpo ou de grandes bigodes ou barbas hirsutas. Até óculos escuros tornaram os cantores mais sofisticados. E a mudança trouxe em seu bojo, evidentemente, uma grande quantidade de aproveitadores e viajantes, dispostos a fazer fortuna, sem compromisso algum com as raízes.

Como é impossível lutar contra os novos ventos, cabe-nos, por justiça, ressaltar que ainda existem artistas sinceros e autenticamente ligados às origens. Deus lhes dê forças para perpetuar esse gênero musical que, repetimos, está intimamente vinculado àquilo que melhor representa o sentimento de nacionalidade: a terra.
Ficamos por aqui, com a certeza que não esgotamos o assunto mas, quem sabe, abrimos espaço para novas narrativas.

AGRADECIMENTOS

Não foi fácil elaborar este resumo, pois sabemos que no Brasil as coisas da terra se perdem no tempo e no espaço. O que fizemos, com grande esforço, mesmo pouco representando no universo globalizado em que vivemos, foi dar nossa parcela de contribuição, baseado nas inestimáveis narrativas de verdadeiros garimpeiros do assunto. Na verdade realizamos este trabalho com prazer indescritível e sentimo-nos recompensados pelo simples fato de o havermos feito. Esperamos que possa ser útil, despertando, pelo menos, sua atenção ou curiosidade. E, como já dissemos antes, pode ser uma porta aberta a novas contribuições, dentro da proposta básica da Internet, de disponibilizar informação ao seu público, gratuitamente. Estamos a disposição para acatar colaborações e sugestões, na busca da melhoria permanente.
Agradecemos a FUNARTE (por preservar nossas manifestações artísticas e culturais) - Ministério da Cultura, a J.L. Ferrete (cuja feliz lembrança de colocar no papel a história de nossa música rural, possibilitou nosso trabalho) e a todas as fontes de pesquisa utilizadas.
Obrigado!!!

http://www.miniweb.com.br/artes/artigos/musica_caipira/caipira%202.html

Texto baseado na obra de J. L. Ferrete "Capitão Furtado - Viola Caipira ou Sertaneja?"

Fonte do texto: Universo Country

A História da Música Caipira

A música caipira tem sua origem no dia-a-dia do povo simples do interior brasileiro. Cresceu e desenvolveu-se rodeada por histórias de pescarias, caçadas, transportes de boiada, na fé de nossos ancestrais, nos amores e romances proibidos, ou não, nas prosas de final de tarde nos terreiros, na sabedoria de um povo que observava a natureza, que apreciava uma boa cachaça e um bom fumo de corda.

Voltando um pouco no tempo e analisando a história da colonização brasileira podemos destacar, segundo Romildo Sant’Anna (autor do livro “A moda é Viola”), três pilares que serviram de alicerce para a construção da nossa música caipira, são eles: portugueses, índios e africanos. Os portugueses foram os responsáveis pela introdução da viola no Brasil, os índios contribuíram com a dança (batiam pés e mãos – o que mais tarde deu origem a Catira) e os africanos trouxeram boa dose de musicalidade e ritmo ao caldeirão caipira.

Com o passar do tempo e a chegada de outros imigrantes ao Brasil, o caldo caipira foi engrossando, principalmente pelos italianos e espanhóis que vinham para trabalhar nas lavouras e logo se misturavam aos caipiras brasileiros. Tonico e Tinoco, por exemplo, umas das duplas mais famosas do Brasil são filhos de espanhol. Mário Zan, compositor da música Chalana (símbolo do Pantanal), é italiano de nascimento, chegou ao Brasil com 4 anos de idade.

O resultado de toda essa mistura de raças e costumes trouxe para a música caipira um fundo nostálgico, introduzido, principalmente, pelos imigrantes que se encontravam longe de suas famílias. Renato Andrade, violeiro de Abaeté, define muito bem a essência da música caipira ao afirmar que “moda bem tocada é aquela que desperta em nós uma saudade que a gente nem sabe do que”.

Como trabalhavam duro na roça e não tinham oportunidade para estudar, muitos dos grandes mestres da música caipira mal sabiam escrever o próprio nome. Com isso a música caipira seguiu seu caminho apoiada nos causos que passavam de geração para geração, histórias que percorriam cidades e que muitas vezes se transformaram em letras maravilhosas que, até hoje, não sabemos se são verdadeiras ou não.

Ao longo de sua trajetória a música caipira se transformou em um símbolo de originalidade que, muitos afirmam, melhor expressa a história e a vida do povo brasileiro.

Bibliografia
Ribeiro, José Hamilton. Música Caipira: as 270 maiores modas de todos os tempos. São Paulo: Globo, 2006.

Final da década de 20, mais precisamente em 1929, o poeta, compositor, escritor e intérprete, chamado Cornélio Pires, natural da cidade de Tietê (SP), iniciou uma grande revolução no mercado da música caipira.

Cornélio bancou do próprio bolso a gravação do primeiro disco caipira da história da música brasileira. Era um disco de 78 rotações que apresentava a música Jorginho do Sertão interpretada pela dupla Caçula e Mariano (tio e pai do sanfoneiro Caçulinha, respectivamente). O que parecia loucura, devido a música caipira ser de origem rural e repleta de erros de português, logo se tornou o estopim de uma grande explosão de vendas.

Jorginho do Sertão, primeira música caipira a ser gravada, possui composição leve e irreverente.

“O Jorginho do Sertão
Rapazinho de talento
Numa carpa de café
Enjeitô treis casamento

Logo veio o seu patrão
Cheio de contentamento
(tenho treis filhas “sorteira que
Ofereço em casamento)

Logo veio a mais nova
Vestidinho cheio de fita
Jorginho case comigo
Que das treis Sô a mais bonita

Logo veio a do meio
Vestidinho cor de prata
Jorginho case comigo
Ou então você me mata

Logo veio a mais véia
Por ser mais interesseira
Jorginho case comigo
Sou a mais trabaiadeira

Jorginho pegou o cavalo
Ensilhô na mesma hora
Foi dizê pra morenada
Adeus que eu já vou me embora

Na hora da despedida,
Ai, ai, ai
É que a morenada chora
Ai, ai, ai

O Jorginho arresorveu
É melhor que eu mesmo suma
Não posso casá cum as treis, ai
Eu num caso cum nenhuma”

Para divulgar o primeiro disco, Cornélio Pires concentrou suas energias na venda de vitrolas. O raciocínio era simples, sem vitrola não tinha como ouvir o disco. Numa ação comercial arrojada, presenteava o comprador da vitrola com um disco de música caipira. Ao mesmo tempo organizou um grupo de artistas chamado “Os caipiras de Cornélio” e saiu em caravana pelo interior fazendo apresentações em circos, vendendo vitrolas e distribuindo seu disco caipira.

site_caipiras_cornelio

A turma caipira de Cornélio Pires. Foto histórica de 1929, da esquerda para a direita, em pé: Ferrinho, Sebastião Ortiz de Camargo (Sebastiãozinho), Caçula, Arlindo Santana; sentados: Mariano, Cornélio Pires e Zico Dias.

Em pouco tempo as mil cópias da primeira edição do disco se esgotaram e Cornélio partiu para a impressão da segunda edição e abriu, definitivamente, a porteira do sucesso para a música caipira. Diga-se de passagem, mil cópias era um número expressivo para a época, as edições de discos geralmente saiam com 400 discos!

Homem de visão comercial privilegiada, Cornélio foi então contratado pela gravadora como produtor de discos de música caipira. Para garantir preços acessíveis ao povo, adotou a inserção de anúncios de patrocínio nas capas dos discos. A estratégia de preços baixos, junto ao crescimento e audiência dos programas caipiras nas rádios, impulsionou a venda de discos.

Cornélio faleceu em 17 de fevereiro de 1958 aos 73 anos. Seu espírito inovador e desbravador deixou uma contribuição inquestionável para o início da comercialização e divulgação da música caipira brasileira.
—–
Bibliografia
Ribeiro, José Hamilton. Música Caipira: as 270 maiores modas de todos os tempos. São Paulo: Globo, 2006.

Internet

http://pt.wikipedia.org/wiki/Cornelio_Pires

O estado de São Paulo foi o grande berço da música caipira. Das terras paulistas nasceram cantores, violeiros e compositores que fizeram e contaram a história do Brasil caipira. Do litoral ao interior, passando pela capital do estado, a caipirada floresceu. A seguir apresento uma lista (que não é definitiva) das cidades e seus respectivos artistas.

Agudos: Palmeira
Araraquara: Cascatinha
Araras: Inhana
Barretos: Florêncio
Bofete: Carreirinho
Botucatu: Raul Torres, Serrinha
Cordeirópolis: João Pacífico
Guaratinguetá: Lourival dos Santos
Itajobi: Vieira e Vieirinha, Liu e Léu, Zico e Zeca
Itapetininga: Teddy Vieira
Itápolis: José Fortuna
Itaporanga: Angelino de Oliveira
Jaú: Marrueiro
Mogi das Cruzes: Anacleto Rosas Junior
Ourinhos: Mary Galvão
Palmital: Marilene Galvão
Paraguaçu Paulista: Nhô Pai
Penápolis: Sulino
Pratânia: Tinoco
Santa Cruz do Rio Pardo: Zilo e Zalo
Santos: Renato Teixeira
São Carlos: Pardinho
São Joaquim da Barra: Rolando Boldrin
São Luiz do Paraitinga: Elpídio dos Santos
São Manuel: Tonico
São Paulo: Inezita Barroso, Sérgio Reis
Tietê: Cornélio Pires, Ariovaldo Pires (Capitão Furtado)


Bibliografia
Freire, Paulo. Eu Nasci Naquela Serra. São Paulo: Paulicéia, 1996.
Nepomuceno, Rosa. Música Caipira: da roça ao rodeio. São Paulo: Ed. 34, 1999.
Ribeiro, José Hamilton. Música Caipira: as 270 maiores modas de todos os tempos. São Paulo: Globo, 2006.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Abel e Caim

Abel e Caim

José Vieira (Abel) nasceu em Itajobi/SP, em 27 de abril de 1929 e faleceu em Araçatuba em 12/01/2011.
Sebastião da Silva (Caim) nasceu em Monte Azul Paulista/SP, em 20 de janeiro de 1944.

Abel deu os seus iniciais passos na vida artística cantando em Catanduva e Novo Horizonte. Por volta dos anos 1955 e 1956 fazia algum sucesso com a parceria feita com o sobrinho Lair Rodrigues. Tempos depois, deixou o interior e foi para a capital.

Caim, em 1957, participava de um trio onde atuava ao lado de uma irmã e de um garoto até migrar para a capital paulista.
Abel e Caim são primos, e foram se encontrar em São Paulo no ano de 1967. Como os dois já haviam formado outras duplas, resolveram cantar juntos e, depois de vários ensaios, acabaram se acertando.

Estava formada uma nova dupla sertaneja, e Jacozinho deu-lhe o nome de Abel e Caim. A parceria teve um início glorioso. Era o tempo dos concursos e festivais. Na época a TV Cultura realizava, sob o comando de Geraldo Meirelles, um grande concurso de violeiros.

Abel e Caim participaram, e entre mil e quinhentas duplas inscritas, obtiveram o primeiro lugar em uma sensacional vitória. Fizeram parte do júri: Raul Tôrres, Nhô Zé, Nenete, Athos Campos, Julião, entre outros. Ganharam como prêmio um contrato com a Gravadora Chantecler e a gravação de seu primeiro LP, que se transformou em sucesso e abriu as portas para outras oportunidades. A primeira delas, foi um convite feito pela Rádio Nacional, hoje Globo, para que participassem do primeiro festival realizado por aquela emissora.

Defenderam a música “Natureza” de autoria de Dino Franco. Após dramática disputa duas músicas empataram no primeiro lugar: “Poeira”, defendida pelo Duo Glacial, e “Catira”, cantada por Zico e Zéca. A música “Natureza” interpretada por Abel e Caim conquistou o terceiro lugar. Daí para frente foi só sucesso, programas de rádio, shows por todo o Brasil e vários discos gravados, totalizando 28 LPs e 07 CDs.
Começaram na Chantecler, depois entraram para a Continental, RCA Victor, Copacabana, CBS, CID e Tape Car.

Entre seus grandes sucessos: Santa Luzia, Mãe Amorosa, Natureza, O Barco, Orquestra da Natureza, O Menino e o Cachorro, Berrante Assassino, Laço do Boi Soberano, entre outros.

Site Oficial: www.abelecaim.com.br

Texto: Sandra Cristina Peripato

domingo, 14 de agosto de 2011

Cacique e Pajé - Biografia

CACIQU~2Filhos de agricultores, Antônio Borges de Alvarenga, o Cacique, filho de Francisco Borges de Alvarenga e Joana Geraldina de Oliveira, nasceu em numa tribo às margens do Rio Vermelho, no município de Rondonópolis-MT, em 25 de março de 1935, e Roque Pereira Paiva, o Pajé, filho de Antônio Pereira Paiva e Cecília Verdoot, nasceu na mesma tribo em 22 de agosto de 1936 e faleceu em São Paulo-SP em 05 de março de 1994.

Cacique e Pajé nasceram na tribo às margens do Rio Vermelho, no município de Rondonópolis-MT, mas devido a uma epidemia de febre amarela, foram entregues pelo padre a dois boiadeiros que passavam por aquela região. Eles foram na comitiva levando a boiada e trouxeram os dois. Cacique foi adotado por Francisco Borges de Alvarenga e o Pajé por Antônio Verduti Paiva. O Pajé recebeu o nome de Roque Pereira Paiva. Cacique foi registrado em Monte Aprazível-SP. e Pajé em Bofete-SP, e regulavam a idade, eram da mesma tribo mas não eram irmãos. Lá tinha os Bororó e os Caiapó.

Antônio e Roque desenvolveram atividades artísticas e utilizaram diversos outros pseudônimos antes de formar a dupla Cacique e Pajé:
Antônio adotou de início o nome artístico de Peixoto e fez com João Rodrigues, a dupla "Peixoto e Peixinho". Gravaram na gravadora Centenário um "compacto duplo" no qual continha a música "Violeiro Franco" (Antônio Borges e Roque Pereira Paiva). Em seguida, adotou o nome de Rei do Gado e formou dupla com Peão Campeiro. A dupla "Peão Campeiro e Rei do Gado" lançou um LP em 1970 pela gravadora Califórnia, destacando-se entre outras a música "Arrependida" (Garcia e Zé Matão).

Em 1971, Antônio Borges gravou com João Antônio um LP pela Fermata. Pouco tempo depois, mudou seu nome artístico para Ferreirinha e fez dupla com João Ferreira: a dupla "João Ferreira e Ferreirinho".
Em 1977, reassumiu o nome artístico de Rei do Gado, juntou-se finalmente a Roque Pereira, que adotou o nome de Boiadeiro. E, com o pseudônimo de "Índios Caiapó", gravaram um LP pela Sonora. Era a dupla "Rei do Gado e Boiadeiro - Os Índios Caiapó".

E foi no ano de 1978, que nasceu a dupla chamada "Cacique e Pajé, ocasião na qual gravaram um LP pela Chantecler, com destaque para "Pescador e Catireiro" (Cacique e Carreirinho). No mesmo ano, participaram juntamente com Sérgio Reis e a Orquestra de Violeiros de Osasco-SP do histórico show promovido por Tonico e Tinoco no Teatro Municipal de São Paulo-SP, o qual também deu origem ao livro "Da Beira da Tuia ao Teatro Municipal". Aliás, foi Tonico e Tinoco que, tendo gostado da dupla, sugeriram o nome.

Cacique ficou sabendo que ele era realmente filho do cacique da Tribo Caiapó, enquanto que seu avô paterno havia sido um pajé (curandeiro) na mesma tribo.
Em 1979, fizeram sucesso com "Caçando e Pescando" (Cacique e Tangará) e "Deixa o Índio em Paz" (Cacique e Capitão Furtado). E, na década de 1980, lançaram mais 5 LPs, destacando-se, dentre outras, "Viola no Samba" (Rei do Mar e Cacique), "Poemas das Cordas" (Paulo Gaúcho e Zé Raimundo), "Cadê o Gato" (Cacique e Pajé) e "As Flores e os Animais" (Paraíso e José Fortuna).

Em 1983, Cacique e Pajé participaram do LP de Taiguara "Canções de Amor e Liberdade" interpretando com ele "Voz do Leste" (Taiguara). Disco esse, por sinal, extremamente emocionante, que foi o primeiro que Taiguara gravou após ter retornado do exílio no Uruguai.
Em 1985, quando do lançamento do 8º LP, com destaque para "Peão Sabido" (Cacique e Nhô Véio), Pajé foi vítima de um derrame que o obrigou a se afastar da dupla.

Seguiu-se um período de 3 anos no qual as apresentações continuavam, no entanto, Pajé apenas "dublava" e mal conseguia cumprimentar o público. Cacique também era ajudado pelo Rocha da dupla "Rocha e Umuarama", pelo Zé Matão e também pelo Odilon (o mesmo que já formou dupla com Tião do Carro), nas apresentações em que o Pajé não tinha condições de se apresentar.

Em 1993, Cacique também passou mal, com problemas cardíacos e necessitou de cirurgia. Seguiu-se um periódo de extremas dificuldades, em que ambos os integrantes da dupla foram ajudados pelos irmãos de sangue (que integravam a dupla "Caiuê e Caiapó"), os quais chegaram a "interpretar" Cacique e Pajé, já que Cacique chegou a praticamente perder a voz.

Além de "Caiuê e Caiapó", Odilon e Zé Matão também "dublavam" Cacique e Pajé nas apresentações da dupla. E, nesse período, diversos "Pajés" também cantaram ao lado de Cacique, dentre eles, Luiz Mariano, Zé Nobre e Pedrinho Tamim, até que Roque Pereira Paiva, o Pajezinho, como é carinhosamente chamado pelo Cacique, veio a falecer tragicamente, no ano de 1994, após ter perdido a voz, sofrido dois derrames, além de ter tido braço e perna direitos amputados. "Pajézinho" deixou a esposa com oito filhos.

Cacique, desiludido, tinha a informação médica de que não mais voltaria a cantar. Nessa ocasião, Cachoêra (José Pereira de Souza), que era músico do estúdio, também deu uma força e cantou algum tempo no lugar do Pajé, tendo inclusive gravado dois discos.
Cachoêra substituiu o Pajé na dupla, que prosseguiu com o mesmo nome e lançou novo LP pelo selo Disco de Ouro, com destaque para "Barretos Não Faz Feio" (Cacique, Lourival dos Santos e João Macedo).
De acordo com Cacique, o Pajezinho é que arranjava os 'Pajé' pra ele. Ele ouvia e indicava. Mas, depois que ele morreu, ele ficou com o Cachoêra.

O Geraldo Aparecido da Silva "Pajé atual" ele já conhecia, ele é meio primo seu.
Geraldo Aparecido da Silva, filho da índia Joana Dias Barbosa, nasceu em Itapuí-SP, às margens do Rio Tietê, no dia 29 de julho de 1943. O esposo de Joana era boaideiro e também catireiro e muito bom violeiro, de acordo com Geraldo, que passou a ser o Pajé a partir do ano de 1997.

Geraldo já havia feito dupla com João Goiano e integrou também o "Trio Andorinha". E foi numa apresentação desse trio que nasceu a nova dupla Cacique e Pajé, como a conhecemos nos dias atuais. Após Geraldo Aparecido ter cantado junto com Antônio Borges, diversas pessoas presentes abraçaram os dois e disseram que era "... a melhor dupla depois do primeiro Pajé..." Dentre os presentes, estavam Pedro Jacob e também o compositor Aleixinho.

Antônio Borges e Geraldo Aparecido, a nova dupla "Cacique e Pajé" gravaram então um CD contendo somente Modas de Viola. E foram mais 6 CD's e diversos shows que vieram depois.
Antônio Borges e Geraldo Aparecido mantém-se em plena atividade com o nome "Cacique e Pajé".

Texto: Sandra Cristina Peripato

Fonte: www.boamusicaricardinho.com

PEÃO CAMPEIRO (Mulatinho) E REI DO GADO - FILHO DO FERREIRINHA - 1970 – CALIFÓRNIA

O Peão Campeiro (João Antonio) também foi o Mulatinho da Dupla João Mineiro e Mulatinho (1961), Peão Carreiro e Mulatinho (1969, 1970) e Pião do Carro e Mulatinho (1982).


1) Nortista Sertanejo - Siqueirinha e João Rodrigues
2) Arrependida - Garcia e Zé Matão
3) Filho do Ferreirinha - Rei do Mar e Nhô Zé
4) Vagando pelo Mundo - Garcia e Zé Matão
5) Rei dos Pescadores - Pedrão e Ataíde de Oliveira
6) Perdi Meu Amor - João P. da Silva e Carlinhos
7) Violeiro Querido - Nhô Quinca e João Rodrigues
8) Caboclo Sertanejo - Rei do Gado e Lício
9) Padecimento - Carreirinho
10) Sertanejo Solitário - Zé Carreiro e Carreirinho
11) Barco Sem Destino - Zé Carreiro e Carreirinho
12) Boneca Paraguaia - Pedrão e Sebastião Víctor

PEÃO DE OURO E BOIADEIRO (Pajé) - POBRE NÃO TEM VEZ  (1971)


1) Estrela D'Alva - Retrato, Retrói e Sebastião Mavel
2) Macumbeiro - Teddy Vieira e Arlindo Pinto
3) Não Quero Nem Saber - Eugênio Alves e Rei do Mar
4) Peão Estradeiro - Zé Gregório
5) Pensando eu Vejo - João Rodrigues e Pavão do Norte
6) Pirangueiro - Nenete e Marumby
7) Pobre Não Tem Vez - Ângelo de Lima
8) Quebra, Quebra - Antonio Pereira e Tião Brasil
9) Se Ela Voltar - Manuel C. Abreu e Tião Goiano
10) Três Magos do Oriente - Sebastião Brás e Nascim Filho
11) Vem Meu Amor - Carreirinho e J. Vasco
12) Voltei a Ser Feliz - B. Amorim

JOÃO FERREIRA E REIDO GADO (Cacique) OS REIS DA CHIBATA (1971)

joaoferreira_reidogado

01 Saravá
02 Chega
03 Linda Paraguaia
04 Flor De Minas
05 Violeiro Querido
06 Fandango Mineiro
07 Pedaço De Minha Vida
08 Viola No Samba
09 As Conquistas de Pelé
10 Estou
11 Não Deves Recordar
12 Minha Mensagem

Infelizmente não temos os autores/compositores dess álbum

JOÃO FERREIRA E FERREIRINHO (Cacique) - SERTÃO BRASILEIRO - 1975


1) Evoluindo Sempre - João Ferreira e Sebastião Victor
2) Glória a Deus nas Alturas - João Ferreira e Quintino Eliseu
3) O Papo Furou - João Ferreira e Zé Matão
4) Piraquara - João Ferreira e Ferreirinho
5) O Primeiro Patrão - João Ferreira e Antônio Pereira
6) Recordação - João Ferreira e Quintino Eliseu
7) Sucesso na Praça - João Ferreira e Quintino Eliseu
8) Despedida - João Ferreira e Quintino Eliseu
9) Cai-Cai - João Ferreira e Quintino Eliseu
10) O Mineiro de Gramangol - João Ferreira e Quintino Eliseu
11) Pensando eu Vejo - João Ferreira e Ferreirinho
12) Sombra e Água Fresca - João Ferreira e Jordão

REI DO GADO E BOIADEIRO - RANCHO QUARTO DE MILHA


1) Rancho Quarto de Milha - Rei do Gado e Boiadeiro
2) Minha Palhoça - Rei do Gado e Boiadeiro
3) Pescador e Catireiro - Cacique e Carreirinho
4) Vida de Caboclo - Zé Carreiro e Pedrão
5) Rainha da Flora - Cacique e Francisco do Carmo
6) Índia Mulata - José de Souza e Gonçalo Roque
7) Brasil pra Frente - Rei do Gado e Santo Marasatti
8) Sou Igual um Passarinho - Nonô Basílio
9) Pedaço de Minha Vida - Raul Torres
10) A Menina e a sucuri - Cacique e Martins Neto
11) Princesa Encantada - Cacique e Antonio C. de Santana
12) Lição de Violeiro - Rei do Gado, Galho Velho e Rocha

CACIQUE E PAJÉ - 1978


1) Pescador e Catireiro - Cacique e Carreirinho
2) Não me Fale de Amor - Tião do Carro
3) Rabicho - Cacique
4) Tua Decisão - Cacique e Valter O. dos Santos
5) O Milagre do Batismo - Cacique e Tião do Carro
6) Trocadilho Sertanejo - Cacique e Antonio C. de Santana
7) Povo de Goiás - Cacique
8) Revivendo Mato Grosso - Cacique e Tonico
9) Ciumento - Tião do Carro e Roberto Nunes
10) Vida de Caboclo - Zé Carreiro e Pedrão
11) Rapaz de Gosto - Cacique e Pajé
12) O Granfino e o Boiadeiro - Tião do Carro

CAÇANDO E PESCANDO - VOLUME 2 - 1979


1) Caçando e Pescando - Cacique e Tangará
2) Boiadeiro do Mar - Tião do Carro e Moacyr dos Santos
3) Sou Igual a um Passarinho - Nonô Basílio
4) Minha Palhoça - Cacique e Boiadeiro
5) Mulher de Minha Vda - Roberto Nunes e Tião do Carro
6) Deixe o Índio em Paz - Capitão Furtado e Cacique
7) Morena Bonita - Cacique e Chicão Pereira
8) O Patrão e a Secretária - Lourival dos Santos e Miltinho Rodrigues
9) O Direito de Nascer - Zé Batuta
10) Canoeiro - Zé Carreiro e Alocim
11) Mariposa do Amor - Torrinha e Canhotinho
12) A Menina e a sucuri - Cacique e Martins Neto
13) Princesa Encantada - Cacique e Antonio C. de Santana
14) Ninguém Vive sem Amor - Luiz de Castro e José David Vieira

POEMA DAS CORDAS - VOLUME 3 - 1980


1) Poema das Cordas - José Raimundo e Gaúcho
2) O Homem das Províncias - Tony Damito
3) Moça Bonita - Zé Batuta e Lourival dos Santos
4) Estrela D'alva - Sebastião Malvez, Retrato e Retróis
5) O Boiadeiro e a Viola - Cacique, Lolito e Negrão da Costa
6) Rancho Quarto de Milha - Cacique, Antonio C. de Santana e Pajé
7) Velho Peão - João Ferreira e Lino Filho
8) Macaco Velho - Zé Batuta e Ari Guardião
9) Pescador Caprichoso - Cacique, Pajé e Tony Damito
10) Puro Brasileiro - Cacique
11) Zé Neguinho - Zé Batuta e Sebastião Aragon Dias
12) Rainha da Flora - Cacique e Francisco do Carmo

OS ÍNDIOS E A VIOLA - 1981


1) Poeta Competente - Zé Batuta
2) Mulher do Cachaceiro - Tião do Carro e Moacyr dos Santos
3) Pensando eu Vejo - João Ferreira e Ferreirinho
4) Silêncio na Aldeia - Cacique e Crisóstomo
5) Alicerce Poderoso - Cacique e Lolito
6) O Chifre do Boi Soberano - Cacique, G. Sampaio e José Rosa
7) A Lenda do Caipora - Sulino
8) Briga de Mulher - Praense
9) Mosca Branca - Cacique e Jesus Belmiro
10) Se os Animais Falassem - Biguá, Taubaté e Teodomiro
11) Do que o Boiadeiro Gosta - J. dos Santos e Zé Fortuna
12) O Folgazão e o diabo - Aleixinho e Athos Campos

AS FLORES E OS ANIMAIS - 1982


1) Serpente Traiçoeira - Jesus Belmiro e Cacique
2) Pra Quebrar o Jejum - Athos Campos e Aleixinho
3) Amigo Incerto - Tião do Carro e João Mulato
4) Quem dá Amor Recebe Amor - Nonô Basílio
5) Resto de Comida - Sulino e Moacyr dos Santos
6) Cultura e Sabedoria - José Fortuna e J. dos Santos
7) As Flores e os Animais - José Fortuna e Paraíso
8) Filho de Caiapós - Cacique e Eduardinho
9) Cuitelo Mensageiro - J. Santana, Pajé e Moacyr dos Santos
10) Um Pedaço de Minha Vida - Raul Torres
11) O Grito - Jesus Belmiro, Cacique e Pajé
12) Os Mandamentos da Vida - Cacique e Quintino Eliseu

CADÊ O GATO - 1983


1) Mão Fechada - Moacyr dos Santos e Chico Vieira
2) Cidade Moderna - Moacyr dos Santos, Tião do Carro e Pajé
3) Rainha da Festa - Jesus Belmiro e Cacique
4) Filatelista Caboclo - Joaquim Neves, Cacique e Tonico Martins
5) Piraquara - Ferreirinho e João Ferreira
6) Velho Berrante - Sulino e Hamilton Carneiro
7) Cadê o Gato - Cacique e Pajé
8) Laço da Saudade - Jesus Belmiro e Cacique
9) Despedida - Ferreirinho e João Ferreira
10) Risco da Paixão - Jesus Belmiro, Pajé e J. dos Santos
11) Conselho de Violeiro - Cacique, Rocha e Caio Véio
12) Os Dois Ííndios Violeiros - Cacique e Antonio Teodoro

CACIQUE E PAJÉ - 1983


1) Viola no Samba - Rei do Mar e Cacique
2) Guerra de Amor - Jesus Belmiro e Mulatinho
3) Bonito de Santa Fé - Cacique e João Rodrigues
4) Vara de Ferrão - Jesus Belmiro e Cacique
5) O Ííndio Também é Gente - Vicente P. Machado e Dino Franco
6) Menino Jesus - Pajé e Chicão Pereira
7) Encontro Fatal - Carreirinho e José Vicente
8) Saravá - Cacique e Zé Matuto
9) Pezinho de Anjo - Moacyr dos Santos e Tião do Carro
10) Retrato da Mãe Amorosa - Tanabi
11) Mão de Vaca - Paraíso e Moacyr dos Santos
12) Guerreiros Caiapós - Jesus Belmiro e Cacique

PEÃO SABIDO - 1985


1) Peão Sabido - Cacique e Nhô Véio
2) Conselho de Patrão - Quintino Eliseu, Cacique e Pajé
3) Abrindo Picada - Jesus Belmiro e Cacique
4) Patriota - Tião do Carro e José Caetano Erba
5) Viola Caipira - Cacique, Clemete e Adolfo
6) O Lixeiro e o Doutor - Tião do Carro e José Caetano Erba
7) Quebra Galho - Vicente Dias, Luiz de Castro e Cacique
8) Desejo de um Poeta - Cacique, Jesus Belmiro e Tonico Martins
9) Brincando de Esconder - Carreirinho
10) Índio na Cidade - Antonio Teodoro, Cacique e Mulatinho
11) Violeiro Cobiçado - Nhô Véio e Cacique
12) Minha Sitioca - Décio dos Santos e Mulatinho

OS GRANDES SUCESSOS - 1988


1) Canoeiro - Zé Carreiro e Alocin
2) Pescador e Catireiro - Cacique e Carreirinho
3) Cadê o Gato - Cacique e Pajé
4) Índio na Cidade - Antonio Teodoro, Cacique e Mulatinho
5) O Lixeiro e o Doutor - Tião do Carro e José Caetano Erba
6) As Flores e os Animais - José Fortuna e Paraíso
7) Mulher do Cachaceiro - Tião do Carro e Moacyr dos Santos
8) Caçando e Pescando - Cacique e Tangará
9) O Ííndio Também é Gente - Vicente P. Machado e Dino Franco
10) O Milagre do Batismo - Cacique e Tião do Carro
11) Despedida - Ferreirinho e João Ferreira
12) Briga de Mulher - Praense

CACIQUE E PAJÉ – 1989 (Última gravação de Roque Pereira Paiva – Pajé)

1) Baixinha - José Felipe e Paulo Gaúcho
2) Índio Tupy - Cacique e Taubaté
3) Dupla Saudade - Jesus Belmiro, Cacique e Tião Carreiro
4) Violeiro Marrudo - Nonô Basílio
5) Paraná do Norte - Palmeira e Luizinho
6) O Trouxa e a Fera - José Caetano Erba e Pajé
7) Bom Jesus de Pirapora - Serrinha e Ado Benati
8) Doidão de Amor - Tião do Carro e Cacique
9) Inquilina de Violeiro - João Gonçalves, Cacique e Tomaz
10) Futebol de Amor - Tião do Carro e Nhô Chico
11) Curtindo a Saudade - Zé Matão e Pajé
12) Saudade Não Tem Cor - Jesus Belmiro e Cacique

O CANTO DA TERRA - 1994


1) Rabicho - Cacique
2) Cadê o Gato - Cacique e Pajé
3) Mão Fechada - Moacyr dos Santos e Chico Vieira
4) O Homem das Províncias - Tony Damito
5) Macaco Velho - Zé Batuta e Ari Guardião
6) Pescador Caprichoso - Cacique, Pajé e Tony Damito
7) Canoeiro - Zé Carreiro e Alocin
8) Pescador e Catireiro - Cacique e Carreirinho
9) Povo de Goiás - Cacique
10) Caçando e Pescando - Cacique e Tangará
11) Laço da Saudade - Jesus Belmiro e Cacique
12) Estrela D'alva - Sebastião Malvez, Retrato e Retróis
13) Poema das Cordas - José Raimundo e Gaúcho
14) Zé Neguinho - Zé Batuta e Sebastião Aragon Dias
15) Morena Bonita - Cacique e Chicão Pereira
16) Minha Palhoça - Cacique e Boiadeiro

SOM DA TERRA - 1994


1) Peão Sabido - Cacique e Nhô Véio
2) Abrindo Picada - Jesus Belmiro e Cacique
3) Vara de Ferrão - Jesus Belmiro e Cacique
4) O Milagre do Batismo - Cacique e Tião do Carro
5) Viola no Samba - Rei do Mar e Cacique
6) Bonito de Santa Fé - Cacique e João Rodrigues
7) Pensando eu Vejo - João Ferreira e Ferreirinho
8) Rainha da Festa - Jesus Belmiro e Cacique
9) Laço da Saudade - Jesus Belmiro e Cacique
10) Puro Brasileiro - Cacique
11) Rainha da Flora - Cacique e Francisco do Carmo
12) O Grito - Jesus Belmiro, Cacique e Pajé
13) Mosca Branca - Cacique e Jesus Belmiro
14) Minha Palhoça - Cacique e Boiadeiro
15) Princesa Encantada - Cacique e Antonio C. de Santana
16) Pescador Caprichoso - Cacique, Pajé e Tony Damito

DOSE DUPLA - VOL. 2


1) Poeta Competente - Zé Batuta
2) Mulher do Cachaceiro - Tião do Carro e Moacyr dos Santos
3) Pensando eu Vejo - João Ferreira e Ferreirinho
4) Silêncio na Aldeia - Cacique e Crisóstomo
5) Alicerce Poderoso - Cacique e Lolito
6) O Chifre do Boi Soberano - Cacique, G. Sampaio e José Rosa
7) A Lenda do Caipora - Sulino
8) Briga de Mulher - Praense
9) Mosca Branca - Cacique e Jesus Belmiro
10) Se os Animais Falassem - Biguá, Taubaté e Teodomiro
11) Do que o Boiadeiro Gosta - J. dos Santos e Zé Fortuna
12) O Folgazão e o diabo - Aleixinho e Athos Campos
13) Caçando e Pescando - Cacique e Tangará
14) Boiadeiro do Mar - Tião do Carro e Moacyr dos Santos
15) Sou Igual a um Passarinho - Nonô Basílio
16) Minha Palhoça - Cacique e Boiadeiro
17) Mulher de Minha Vda - Roberto Nunes e Tião do Carro
18) Deixe o Índio em Paz - Capitão Furtado e Cacique
19) Morena Bonita - Cacique e Chicão Pereira
20) O Patrão e a Secretária - Lourival dos Santos e Miltinho Rodrigues
21) O Direito de Nascer - Zé Batuta
22) Canoeiro - Zé Carreiro e Alocim
23) Mariposa do Amor - Torrinha e Canhotinho
24) A Menina e a sucuri - Cacique e Martins Neto
25) Ninguém Vive sem Amor - Luiz de Castro e José David Vieira

COM AS MELHORES VIOLAS DO BRASIL - 1995


1) Escravo Branco - João Gonçalves, Cacique e Jetro Durval
2) Índio Violeiro - Cacique e Jesus Belmiro
3) O Índio e o Doutor - José Ulissis Tabachini, Mandril e Toninho Baurú
4) Laço Reforçado - Bergamim, César e Cacique
5) Menina Louca pra Namorar - José Ulissis Tabachini e João Gonçalves
6) Protesto - Cacique, Poeta e Paulo Azarias
7) Caminhoneiro Amigo - Teixeirinha
8) Barreto não Faz Feio - Lourival dos Santos, João Macedo e Cacique
9) O Chupim - Cacique e Cláudio Rodrigues
10) O Ladrão e a Bíblia - Moacyr dos Santos e Belmiro
11) Saudade do Berrante - Antonio Leonor Durante, José Ulissis Tabachini e Toninho Baurú
12) Canção Minha - Pajé e João Gonçalves

A FORÇA DA VIOLA - 1996


1) Índio Patachó - Cacique e Jesus Belmiro
2) Somente Ciúme - Sebastião Malves, Geraldo L. Mendes, Antonio L. Durante e Cacique
3) Torto Também é Certo - Demério de Oliveira e Cacique
4) Se Ela Voltar - Zé Matão, Oswanil V. Pinto e Cacique
5) Tributo à Lourival - Demério de Oliveira e Cacique
6) A Força do Coração - Adivaldo Dias, José Ulisses e Cacique
7) Colibri - Carreiro, Oswanil V. Pinto e Oswaldo Gaspar
8) Joio no Trigo - Jesus Belmiro, Geraldo L. Mendes e Cacique
9) Brisa Mensageira - Demério de Oliveira e Cacique
10) Filho de Ííndio - Zé do Cais, Cacique, Bergamim e Tonico Martins
11) Meu Paraíso - Rodrigo Alessandro Tabacchini, Afonso E. Bento e Geraldo Ferreira
12) Peão Zé Ribeiro - Caetano Erba, Cacique e Luiz Mariano
13) Bonito Avião - Aleixinho, Antonio L. Duarte e Cacique
14) Última Mancada - Aleixinho, Oswanil V. Pinto e Cacique
15) Antes de Casar Sara - João Gonçalves, Cacique e Luiz Mariano
16) A Força da Viola - Cacique e Aleixinho
17) Brasileiro Puro - Poeta, Jacira Amaral e Luiz Pingueiro

MODÃO DE VIOLA - VOLUME 1 - 1997


1) Travessia do Araguaia - Dino Franco e Décio dos Santos
2) Professor Galdino Chagas -
Cacique e Caetano Erba
a Pioneira -
Cacique, Demério de Oliveira e Luiz Pingueiro
4) Campo de Batalha -
Cacique e Caetano Erba
5) Casa de Infância -
Cacique, Caetano Erba e Luciano
6) Meu Passado, Minha Vida -
Cacique, José Ulisse e Arisvaldo Dias
7) Saudoso Doutor José -
8) Fazenda do Braga -
Caetano Erba, Cacique e Russo
9) Cabritinha de Ouro -
Cacique, Caetano Erba e Da Costa
10) São Benedito -
Cacique, Nil e Valão
11) Vaca Maiada -
Cacique, Nil e Caetano Erba
12) Mulher do Cachaceiro -
Tião do Carro e Moacyr dos Santos

BRASIL 500 ANOS - 2000


1) Pescador e Catireiro - Cacique e Carreirinho
2) Brasil 500 Anos - Caetano Erba, Cacique e Pajé
3) Nós Três - Aristides Baldi, Chico Boiadeiro e Cacique
4) Me Abrace Agora - Emestênio Porto da Silva, Nil e Cacique
5) Minha Paquera - Advaldo Dias, José Ulisses e Cacique
6) Amigo do Copo - Aleixinho, Cacique e Pajé
7) Cara Dura - Advaldo Dias, José Ulisses e Afonso Bento
8) Santa Cruz dos Milagres - Jesus Belmiro, Cacique e Toninho
9) Pó de Mico - Domérico de Oliveira, Cecílio B. da Silva e Cacique
10) Caminhoneiro Abençoado - Advaldo Dias, Rodrigos Matos e Cacique
11) Velho Arado - Caetano Erba, Cacique e Russo
12) Consulte Sempre um Caipira - Caetano Erba, Cacique e Da Costa
13) Meu Jeito de Pensar - Advaldo Dias, Rodrigos Alessandro e Paulo Fabrício

MODÃO DE VIOLA - VOLUME 2 - 2001


1) O Velho Jequeitibá - Aleixinho, Cacique e Pajé
2) O Milagre do Batismo - Cacique e Tião do Carro
3) Oi Morena - Cacique e Pajé
4) Rainha da Flora - Cacique e Francisco do Carmo
5) Mosca Branca - Cacique e Jesus Belmiro
6) Resto de Comida - Moacyr dos Santos e Sulino
7) Princesa Encantada - Cacique e Antonio Correia
8) Os Mandamentos da Vida - Cacique e Quintino Eliseu
9) Poeta do Serrado - Geraldo Correia, Caetano Erba e Cacique
10) O Boiadeiro e a Viola - Cacique, Lolito e Negrão da Costa
11) Minha Terra Minha Gente - Jair Barbosa, Cacique e Favotto
12) Sebastião Gomes - Caetano Erba, Cacique e Fernando Gaspar
13) Roldão Bueno - Caetano Erba, Cacique e Alexandre Nunes
14) Violeiro Franco - Cacique e João Rodrigues

PEÃO DE AÇO - 2002

1) Peão de Aço - Adão Nilton, Cacique e Nil
2) Irmãos Caminhoneiros - Cacique e Antonio Teodoro
3) Índios do Brasil - Cacique e Aleixinho
4) Minha Mãe e a Loba - Adão Nilton, Cacique e Nil
5) Cobra Enrolada - José Caetano Erba e Cacique
6) Meu Lugar é na Roça - Cacique e Aleixinho
7) O Coreto - Nelson Gomes e Cacique
8) Dose de Amor - Cacique e Aleixinho
9) O Homem de Sorte - José Caetano Erba, José Luiz e Cacique
10) Sagrado Momento - Adão Nilton e Cacique
11) Lobisomem - Cacique, Pajé e Paulo Azarias
12) Nós só Podemos Sonhar - Cacique, Domério de Oliveira e Meire Parce
13) Filas que Nunca se Acabam - Cacique e Domério de Oliveira
14) Mulatinho - Nil, Toninho Bauru e Cacique

DUAS VIOLAS, DUAS VOZES, UM SÓ CORAÇÃO - 2003


1) Vaca Preta - Jesus Belmiro e Cacique
2) Deixa o Índio em Paz - Capitão Furtado e Cacique
3) Homem do Mistério - Geraldo Carreiro, Nil e Cacique
4) Pescador e Catireiro - Cacique e Carreirinho
5) A Cilada - Aleixinho, Cacique e Pajé
6) Bonito de Santa Fé - Cacique e João Rodrigues
7) Ela e o Sogro - Cacique e Zé Fortuna
8) Viola no Samba - Cacique e Rei do Mar
9) Sertanejo Feliz - Cacique e Nelson Gomes
10) Morena Bonita - Cacique e Chicão Pereira
11) Pó da Saudade - Cacique, Adão Nildo e Arimatéia
12) Velho Arado - Caetano Erba, Cacique e Russo
13) Venha Logo sem Demora - Domério de Oliveira, Cacique e Nil
14) Fazenda do Braga - Caetano Erba, Cacique e Russo
15) Disco Voador - Palmeira
16) Cabelo Loiro - Zé Bonito e Tião Carreiro
17) Pequeno Não é Pedaço - Izaltino Gonçalves e Donizete Luiz
18) Morena dos Olhos Pretos - Sulino e Teddy Vieira
19) Couro de Boi - Teddy Vieira e Palmeira
20) Meu Reino Encantado - Waldemar de Freitas Assunçãoe Vicente P. Machado

CACIQUE E PAJÉ - 2004


1) Pescador Meia Tigela - Cap. Jorge, Cacique e Nil
2) Negrinha Linda - Nhô Chico e Cacique
3) Bate Papo - Nhô Chico e Cacique
4) Milagre da Fé - Nhô Chico e Cacique
5) Bronca de Caboclo - Nhô Chico e Cacique
6) Reencontro - Nhô Chico e Cacique
7) Carolina - Nhô Chico e Cacique
8) Tudo por Dentro - Nhô Chico e Cacique
9) Moda do Tempo - Nhô Chico e Cacique
10) Crime da Melancia - Nhô Chico e Cacique
11) Pagode do "P" - Nhô Chico e Cacique
12) Nescimento e morte - Nhô Chico e Cacique
13) Meu Agradecimento - Nhô Chico e Cacique
14) Mulher Misteriosa - Martins Neto, Cacique e Nil

NOSSO LUGAREJO - 2006


1) Nosso Lugarejo - Cacique e Nil
2) Última Mancada - Cacique e Aleixinho
3) A Indigente - Cacique e Aleixinho
4) São Paulo Antigo - Cacique e Caetano Erba
5) Cabrita de Ouro - Cacique, Caetano Erba e Da Costa
6) Casa de Infância - Cacique, Caetano Erba e Luciano
7) Vaca Malhada - Cacique, Nil e Caetano Erba
8) Campo de Batalha - Cacique e Caetano Erba
9) Professor Galdino - Cacique e Caetano Erba
10) Roldão Bueno - Cacique, Caetano Erba e Alexandre
11) São Benedito - Cacique, Nil e Valão
12) Meu Passado, Minha Vida - Cacique, José Ulisse e Arisvaldo Dias
13) Recanto dos Violeiros - Cacique e Ademar Braga
14) Tributo à Lourival - Cacique e Demério de Oliveira
15) Bonito Avião - Cacique, Aleixinho e Toninho Piedi
16) Sebastião Gomes - Cacique, Caetano Erba e Fernando Gaspar
17) Cavalo de Estimação - Cacique, Nil e Martins Neto
18) Égua Rosia - Cacique, Nil e Cido Garoto
19) O Velho Jequetibá - Cacique e Aleixinho
20) Inezita Pioneira - Cacique, Demério de Oliveira e Luiz Pingueiro

O BOM PESCADOR


1) Trapaceiro - Cacique, Elio Bueno e Aureo
2) O Bom Pescador -
Cacique, Ademar Braga e Nil
3) Crendice -
José Calisto, Cacique e Marinho
4) Carente de Amor -
Cacique, Elio Bueno e Aureo
5) Casinha Velha -
Cacique e Ademar Braga
6) O Violeiro e o Acadêmico -
Cacique, Antonio Teodoro e Aureo
7) Amor em Jogo -
Cacique, L. Almeida e Aureo
8) Maria Fumaça -
Cacique, Zé da Praça e Nil
9) Viola -
Cacique e Tonico Martins
10) O Som da Minha Chibata -
Cacique e Ademar Braga
11) A Frentista -
Pajé, Cacique e Josenil
12) Morada do Matuto -
Cacique, Antonio Teodoro e Wilson Balsaneli
13) Cara de Zé Mané -
Cacique, Antonio Teodoro e Nil
14) Conselho de Pai -
Cacique, Antonio Teodoro e Nil
15) Nostalgia do Caboclo -
Cacique, Antonio Teodoro e Luiz O.Balsaneli
16) Punhado de Amor - Cacique, Antonio Erba e Wilson Basaneli

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Michelle e Karoline "As Caboclinhas de Botucatu"

Michelle e Caroline na apresentação da segunda fase do Festival Sertanejo de Domélia quando conquistaram o 4º lugar. Uma ótima colocação considerando o nível do Festival. O Primeiro lugar ficou com Zelão e Silva Canhoto de Águas de Santa Bárbara; o segundo lugar com João Pedro e Gabriel de São José do Rio Preto; terceiro lugar Adriano Reis e Cuiabá também de Rio Preto; quarto lugar Michelle e Caroline de Botucatu; quinto lugar Irmãos Caipiras de Cabrália Paulista.

Michelle e Caroline 01

Michelle e Caroline 02

 PDVD_030 Apresentação no programa Amigos da Viola do Dito Leite

PDVD_007

Primeiro Lugar no Festival de Laranjal Paulista

PDVD_016

Segundo Lugar no Festival de Porangaba

TIETE4

Segundo Lugar no Festival de Tietê

conchas

Primeiro Lugar no Festival de Conchas

PDVD_004

Segundo Lugar no Festival de Taguaí

Histórico da Dupla Michelle & Karoline – Botucatu-SP.

Foi numa manhã de julho de 2008, numa Roda de Viola na Rádio PRF-8 de Botucatu, através do agora padrinho das moças, o Ramiro Viola, que elas se conheceram e foi amor a primeira vista...

Karoline, a caboclinha violeira, como era carinhosamente chamada, seguia carreira solo, e foi se apresentar na rádio naquela manhã a convite do Violeiro Matuto, Ramiro Viola. Michelle, amiga de Ramiro há tempo, foi assistir a apresentação dos violeiros e, na oportunidade apresentou-a para Karoline. Papearam um pouco e trocaram número de telefones, após o convite da Michelle para fazerem uma missa sertaneja juntas. A partir daí não mais se separaram. Hoje, além de dupla, são também madrinha e afilhada, as duas católicas. Michele crismou Karoline, e as duas seguem mais unidas do que nunca, como dizem sempre, a Viola une as pessoas... E as uniu... Com toda a força.

Michele Rosa Dellegues, nasceu em Botucatu. Começou a fazer seus primeiros acordes no violão aos 11 anos, incentivada pelos pais que vieram do sítio e o ensinamento de sua mãe de nunca esquecer ou negar as suas origens, nem se alhear de suas raízes. Por vocação sempre ouviu com seu pai e cantarolou músicas caipiras. Começou a cantar e tocar na igreja de Santa Terezinha, onde até hoje participa da Pastoral da Música nas missas, junto com Karoline. Depois de um tempo ausente de Botucatu, volta pra cidade raiz, agora com seu pequeno Gabriel, hoje com seis anos, onde encontra os amigos, entre eles, o velho amigo Ramiro Vióla, que volta a incentivá-la a voltar a cantar. “Cada um tem que desenvolver na terra os talentos confiados pelos céus” – ele sempre repete.

Ana Karoline Beneditti, 16 anos e um talento especial, dona de uma voz doce, e um dom incrível para tocar. Toca viola e violão desde muito pequena. Sua primeira platéia eram as galinhas (sempre diz entre risos), e sua primeira violinha foi comprada através da venda de latinhas, e com a ajuda do seu querido e saudoso avô.

Nascida em Botucatu, essa caboclinha como ainda é chamada, vive num sítio cercado das recordações caboclas do avô, que deixou coleções de fitas, discos de vinil, vitrolas... tudo do mais puro sertanejo raiz.

Por tudo isso, e muito mais, essas meninas tem defendido nossa moda raiz. Com dois anos de dupla, vem sempre se destacando nos festivais de modas sertanejas da região.

Fãs de Leide e Laura, Juliana Andrade e Jucimara, As Galvão e Inezita Barroso, por seus trabalhos e pela dura batalha por serem mulheres vitoriosas nesse ramo. Além de imensa admiração por violeiros renomados como Ramiro Viola e Pardini, Tião Carreiro & Pardinho, Goiano & Paranaense, Tonico e Tinoco, entre tantos nomes que as incentivaram e incentivam seu maravilhoso trabalho.

O agradecimento especial da dupla sempre é dedicado ao padrinho Ramiro Viola, o maior incentivador. Também ambas são muito gratas à família, pelo apoio sempre presente e que acompanham a dupla por onde for. Há espaço em seus corações também para o professor e amigo Valdir Luis, que tanto acredita no talento delas. Acima e além de tudo, são gratíssimas a Deus por tê-las colocado uma no caminho da outra, e tem proporcionado tanta força e alegrias. O mesmo Deus que dá o dom é o que faz o sucesso acontecer. Assim ocorre com as pessoas que trazem no coração a marca de um destino a ser cumprido.

As meninas acalentam um grande sonho: encontrar pessoalmente Inezita Barroso e gravar o programa Viola Minha Viola, apresentado por ela. Outro grande sonho é também a gravação do 1º cd, e para isso estão se aprimorando cada vez mais na viola, violão e voz. E ainda mais: já arriscam, com muito critério, compor suas próprias músicas. A primeira moda que compuseram juntas: - “Natureza Esquecida”, conquistou o terceiro lugar, no Poranganejo – Festival de Musica Inédita Sertaneja Raiz de Porangaba em setembro de 2009. Além disso, por terem começado a participar de festivais de modas inéditas, estão em contato com compositores e encontram belíssimas canções.

Fonte: Michelle Dellegues

Contatos:

Michelle – Botucatu-SP.

michelleekaroline@gmail.com

[14] 3815-7310 / 9764-1832.

É a mulher provando seu valor... É o sertanejo raiz mostrando sua força nas vozes dessas meninas, ganhando cada vez mais espaço para comprovar que a Viola é sempre uma poderosa arma ... DA PAZ.