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O play abaixo está em teste com outra programação

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Cleiton e Daniel, Os Violeiros da Batata.

A dupla sertaneja da cidade de Capão Bonito/SP, Cleiton e Daniel, foi destaque no Domingo Espetacular da Rede Record de Televisão. Veja o video…

BUWETBVCBVFGHOIUYT

Parabéns, meninos! Conseve sempre toda essa humildade; ela é muito importante para se ter sucesso. Boa sorte e conte sempre com meu apoio; estamos a disposição para divulgá-los. Agradeçam ao João da Filmadora de Campina do Monte Alegre, quem nos enviou a reportagem sobre vocês. Nós apenas a editamos para moldar ao blog.

Tião Camargo

Colaboração João da Filmadora de Campina do Monte Alegre. Obrigado Cumpadri!

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Festa de Reis tem cantoria e cortejo

Evento cristão celebra o dia em que os três reis magos levaram presentes a Jesus Cristo; festividade terá música, cortejo e almoço especial

O coordenador da Folia de Reis em Bauru, Antônio Correia, luta para manter toda a tradição da antiga festa na cidade

Com a intenção de manter viva a tradição e lembrar a visita dos reis magos ao menino Jesus, o Grupo Folia de Reis de Bauru (um dos únicos remanescentes do Interior do Estado), realiza hoje a festa de Dia de Reis no Núcleo Bauru 16, que atinge sua 11.ª edição na cidade.

Para celebrar esta importante data, porém esquecida por muitos, será realizado um  almoço de Dia de Reis, que será servido a partir do meio-dia de hoje, na casa 1-60 da rua Marcelo Mariuso, no Núcleo Bauru 16.

O cardápio conta com uma bela macarronada, farofa, frango e refrigerante. São esperadas pelo menos 300 pessoas. Os alimentos foram arrecadados desde o início do mês. O grupo percorreu vários bairros e se apresentou aos moradores para coletar os donativos necessários para a festa.

O almoço gratuito é tradicionalmente realizado todos os anos no dia 6 de janeiro, data em que comemora-se o Dia de Reis em todos os cantos do Brasil. Na tradição cristã, este foi o dia em que os três reis magos - Belquior, Baltazar e Gaspar - levaram presentes a Jesus Cristo.

Segundo Antônio Correia, coordenador dos foliões, a data ainda é propícia para fazer novas promessas e pedir proteção para o ano que inicia. “Geralmente, pedimos, neste dia, a benção de Cristo”, indica.

Atualmente composto por nove membros, o Grupo Folia de Reis de Bauru luta para manter a tradição do festejo na cidade. “Apesar de pouco apoio, nós continuamos a realizar a cada ano este evento, que para nós reforça nossa fé e a crença em Deus”, ressalta Correia.

  • Serviço

O almoço gratuito do Dia de Reis começa a partir do meio-dia desta sexta-feira, 6 de janeiro, na quadra 1 da rua Marcelo Mariuso, no Núcleo Bauru 16.

Além de comida, cantoria e cortejo para celebrar

Além do almoço, também haverá a tradicional reza do terço e o canto de despedida da bandeira. A folia folclórica e religiosa começará de manhã, com cortejo que entoará versos de festejos pelo nascimento do menino Jesus.

O grupo seguirá por alguns bairros até chegar no local da festa. “Faremos um trajeto cantando e tocando vários instrumentos, carregando também a bandeira dos Santos Reis. A cantoria chegará até o almoço, que será realizado na quadra 1-60 da rua Marcelo Mariuso”, explica Antônio Correia, quem vai ditar o ritmo da folia caipira com a viola, o mais tradicional dos instrumentos.

Além dele, participam do grupo outras oito pessoas, quase todas familiares do coordenador: o genro Israel Antônio, os netos Talita, Wesley, Wélber e Éderson, os vizinhos Aline e Matheus e o amigo de longa data Joaquim Dionísio.

Os instrumentos utilizados durante cortejo são, além da viola, o violão, a sanfona, o reco-reco, o chocalho, o cavaquinho, triângulo, pandeiro e outros. Os personagens - mestre, contra-mestre, três reis magos, palhaço, e foliões - trajam roupas coloridas.

FONTE: Jornal da Cidade/Bauru

Festa de Reis tem cantoria e cortejo

Evento cristão celebra o dia em que os três reis magos levaram presentes a Jesus Cristo; festividade terá música, cortejo e almoço especial

O coordenador da Folia de Reis em Bauru, Antônio Correia, luta para manter toda a tradição da antiga festa na cidade

Com a intenção de manter viva a tradição e lembrar a visita dos reis magos ao menino Jesus, o Grupo Folia de Reis de Bauru (um dos únicos remanescentes do Interior do Estado), realiza hoje a festa de Dia de Reis no Núcleo Bauru 16, que atinge sua 11.ª edição na cidade.

Para celebrar esta importante data, porém esquecida por muitos, será realizado um  almoço de Dia de Reis, que será servido a partir do meio-dia de hoje, na casa 1-60 da rua Marcelo Mariuso, no Núcleo Bauru 16.

O cardápio conta com uma bela macarronada, farofa, frango e refrigerante. São esperadas pelo menos 300 pessoas. Os alimentos foram arrecadados desde o início do mês. O grupo percorreu vários bairros e se apresentou aos moradores para coletar os donativos necessários para a festa.

O almoço gratuito é tradicionalmente realizado todos os anos no dia 6 de janeiro, data em que comemora-se o Dia de Reis em todos os cantos do Brasil. Na tradição cristã, este foi o dia em que os três reis magos - Belquior, Baltazar e Gaspar - levaram presentes a Jesus Cristo.

Segundo Antônio Correia, coordenador dos foliões, a data ainda é propícia para fazer novas promessas e pedir proteção para o ano que inicia. “Geralmente, pedimos, neste dia, a benção de Cristo”, indica.

Atualmente composto por nove membros, o Grupo Folia de Reis de Bauru luta para manter a tradição do festejo na cidade. “Apesar de pouco apoio, nós continuamos a realizar a cada ano este evento, que para nós reforça nossa fé e a crença em Deus”, ressalta Correia.

  • Serviço

O almoço gratuito do Dia de Reis começa a partir do meio-dia desta sexta-feira, 6 de janeiro, na quadra 1 da rua Marcelo Mariuso, no Núcleo Bauru 16.

Além de comida, cantoria e cortejo para celebrar

Além do almoço, também haverá a tradicional reza do terço e o canto de despedida da bandeira. A folia folclórica e religiosa começará de manhã, com cortejo que entoará versos de festejos pelo nascimento do menino Jesus.

O grupo seguirá por alguns bairros até chegar no local da festa. “Faremos um trajeto cantando e tocando vários instrumentos, carregando também a bandeira dos Santos Reis. A cantoria chegará até o almoço, que será realizado na quadra 1-60 da rua Marcelo Mariuso”, explica Antônio Correia, quem vai ditar o ritmo da folia caipira com a viola, o mais tradicional dos instrumentos.

Além dele, participam do grupo outras oito pessoas, quase todas familiares do coordenador: o genro Israel Antônio, os netos Talita, Wesley, Wélber e Éderson, os vizinhos Aline e Matheus e o amigo de longa data Joaquim Dionísio.

Os instrumentos utilizados durante cortejo são, além da viola, o violão, a sanfona, o reco-reco, o chocalho, o cavaquinho, triângulo, pandeiro e outros. Os personagens - mestre, contra-mestre, três reis magos, palhaço, e foliões - trajam roupas coloridas.

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

CARRO DE BOI

O carro de boi representa a mais antiga tradição de terra e ainda um remoto meio de transporte, substituído hoje por veículos mais modernos e eficazes.

Não obstante o avanço do progresso em todos os sentidos, vale a pena meditarmos no passado, pesquisando a vida daqueles que com dificuldade e heroísmo desbravaram nossas terras virgens fazendo surgir e florescer cidades onde tivemos hoje, sem contudo conhecer o seu passado.

Em 1855, no município de Muqui, surgia o primeiro carro de boi, pertencente ao senhor José de Souza Pinheiro de Souza Werneck, proprietário da fazenda Santa Teresa do Sumidouro. Naquela época, todo o comércio deste município era feito em Cachoeiro do Itapemirim, através de carros de bois ou tropas, cantando pela estrada o canto típico do trabalho difícil e moroso. No afã do progresso, outras fazendas foram se formando, surgindo assim inúmeras delas às margens do ribeirão Muqui do Norte, e com elas os carros de bois se multiplicavam.

Com o passar dos anos, o progresso foi chegando a nossa região, os primeiros caminhões foram aparecendo para surpresa de todos, reduzindo o uso dos tradicionais carros de bois. Mesmo assim em algumas fazendas como em Santa Rita, Floresta, Fortaleza, Rio Claro, Pedra Negra e outras, ainda o usam com freqüência, para transporte dos cereais que cultivam de preferência, transportando-os das lavouras para os paióis das próprias fazendas, dada a difícil topografia do terreno.

Para uma melhor idéia acerca do antiquado veículo, tive o prazer de entrevistar o mais antigo carreiro da região, senhor José Augusto da Silva, que gentilmente me informou sobre os detalhes principais de sua profissão. Segundo nossa entrevista, um carro de boi pode durar até cinqüenta anos, se for devidamente cuidado, e acabar logo, se não forem observados os cuidados necessários para com o mesmo. Alguns cuidados, ditos pelo sábio homem, incluem a observância do eixo para não se derreter com o atrito nos dias de intenso calor. Para evitar tal ocorrência, o carreiro cauteloso traz sempre consigo um chifre contendo azeite de mamona para o unto feito a miúdo, entre o chumaço, cocões e o próprio eixo.

A característica do carro de boi é aquele caminhar lento que mais parece a "paciência em marcha", e aquele canto que nos faz lembrar um lamento de angústia, ante o açoite dos garruchões que padecem os animais. Não obstante os "eia" dos vaqueiros e o ameaço das torturas, os bois caminham a passo, indiferentes a tudo. O típico cantar dos carros deu origem ao conhecido provérbio: Carro apertado é que canta.

Para a confecção deste trabalho foi necessário entrevistar algumas pessoas peritas no assunto e que tiveram a gentileza de me ouvir e em seguida responder às perguntas que fiz.

Sou grata ao senhor José Augusto da Silva, brasileiro, viúvo, carreiro, residente na fazenda de São Francisco, neste distrito, e ao senhor Joaquim Ribeiro, brasileiro, casado, carreiro, residente neste distrito também. Estendo ainda meus agradecimentos aos fabricantes de carro de boi, Augustinho Meloni, brasileiro, casado, carpinteiro, residente na fazenda da Cachoeirinha, neste distrito de Muqui, e Eduardo Martins Vicente, brasileiro, casado, marceneiro, residente nesta cidade.

Através dos últimos entrevistados, tive conhecimento dos preços atuais dos carros. Fabricado na roça fica em Cr$ 800,00 (oitocentos cruzeiros); nas oficinas de carpintaria e marcenaria da cidade, o preço vai até Cr$ 1.500,00 (hum mil e quinhentos cruzeiros).

Assim, em linhas gerais, está aí um apanhado ligeiro sobre o veículo remoto, típico no início de nossa civilização, usado em todo o Brasil.

FONTE: http://jangadabrasil.com.br

O Carro de Boi

Tem carro de boi, e tem carreta. Carreta tem roda raiada e é muda, não canta. Carro de boi tem roda inteira, e canta para se ouvir de léguas, seja gaita, pombo ou baixão . É coisa de sertanejo, é uma saudade doída de um tempo onde se ia devagar, mas havia mais tempo para ver e entender as coisas. Saber de carro de boi, é mexer com magia, é entender a alma da madeira e do ferro, da terra e do fogo, da água e do ar...

O carro de boi foi nosso principal meio de transporte no período colonial, no império e até na era republicana. Mas, vamos só falar da coisa em si, do que o Professor Ramalho reuniu ao longo dos anos, trocando prosa com carapinas, candieiros, carreiros, fazendeiros lá das bandas de Taquaritinga, Jaboticabal, Guariba, Monte Alto, Santa Adélia, e arredores. Juntou a ciência da feitura, "causos", muita coisa boa de se conhecer.

A Construção

Visto de frente, de lado, de cima e de baixo, o bicho é veículo simples, de duas rodas. Todo feito de madeira, menos os aros das rodas, a chaveta e o argolão, que são de ferro, leva as cargas na mesa, que remonta no par de rodas e tem um varejão reforçado onde se atam os bois, chamado cabeçalho.

Ilustração de João Crispim, de Montes Claros, MG, cujo pai foi carreiro e construtor de carros de boi.

Ilustração de João Crispim, de Montes Claros, MG, cujo pai foi carreiro e construtor de carros de boi.

Foto da parte superior do carro, mostrando algumas das partes constantes do diagrama acima.

Vista do carro por baixo, notando-se as chedas , cabeçalho e o assoalho travados pelas arreias, em número de cinco. À direita vê-se o argolão, preso na ponta do cabeçalho, junto ao cadião. No meio da mesa vê-se os quatro cocões, dois de cada lado.

Parte dianteira do cabeçalho, mostrando a chaveta e a orelha.Aqui é presa a canga dos bois de coice.

Parte trazeira da mesa, conhecida como cadião ou recavém. Notar a meia-lua do cabeçalho, que continua por baixo do cadião e onde é preso o argolão (oculto).

Vista inferior do carro, vendo-se o eixo, as arreias que prendem o assoalho da mesa nas chedas curvas, e os cocões.

Detalhe do cocão, preso entre as emborgueiras, vendo-se a cantadeira e o chumaço, de madeira clara e mole.

A mesa é feita de duas chedas que saem uma de cada lado, ligadas no cabeçalho e que apoiam o assoalho. As chedas e as arreias que as unem são feitas de cabreúva, madeira que nem se sabe se existe mais. O assoalho é de canelão, ou outra madeira nem muito dura, nem muito mole. Na parte de trás, fica o rebaixo (recavém).

Roda de cabreúva, mostrando o agulhamento radial de botões metálicos e ao centro na almofada, os dois gatos, para proteger o meião de rachaduras.Observa-se ainda, as duas cavilhas cônicas travando a roda.

Diagrama da roda, mostrando suas partes:
1 - cambota 2- meião 3- arreia 4- almofada 5- ponta do eixo 6- amecha ou buraco da roda 7- óculos ou oca 8- separação entre a cambota e o meião 9- aro de metal da roda.


Rodas de carro, semiprontas, de jacarandá da Bahia. Note que o meião ainda não foi cortado.

Uma das rodas ao lado, com o meião separado das cambotas, para mostrar como é feito o travamento interno com as duas arreias.

As rodas são de cabreúva, a parte do centro é chamada meião e lateralmente se limita com as duas cambotas. O meião, perto das cambotas, tem sempre dois buracos, o bocão, ou oca, que é para o som criar força e ecoar. O aro da roda é de ferro, e para ser calçado, é forjado na bigorna, a malho, redondo perfeito, então esquentado quase ao vermelho numa fogueira de roda. O ferreiro e os ajudantes o ajeitam em cima da roda, no chão, acertam rápido com golpes de malho para não ficar torcido e, estando paralelos, o esfriam com água. O ferro se contrai de a madeira estalar... Nunca ninguém mais tira. Os cravos de meio palmo eram só pelas dúvidas.

O eixo também é da desaparecida cabreúva, oitavado e com morgueiras do lado de dentro, para o chumaço não escapulir do cocão. São dois de cada lado, e é por donde gira o eixo. O chumaço deve, de preferência, ser feito de canelão, pra o carro realmente cantar. Madeira dura canta fino, de gaita, canelão canta de pombo ou canta baixo. Capixingui, baraúna e caviúna fazem carro

Eixo de carro de boi, de cabreúva, lavrado à mão a partir de uma peça única de medidas aproximadas 180x22 centímetros.

Partes do eixo da roda.
1- espiga, com 24 cm de comprimento e secção quadrada,terminando com 8 cm de lado, na ponta do eixo. 2- emborgueira ou morgueira, com 6 cm de largura 3- cantadeira, com 11 cm de largura e rebaixo de 3 cm 4- emborgueira de dentro, com 4 cm de largura e
5- degolo do eixo, com comprimento de 75 cm.

cantar até sem carga, mas pedem óleo de copaíba. Canelão canta com óleo de mamona. Esse fica num chifre chamado azeiteira, amarrado com correia num fueiro, e uma vara com trapo na ponta é usada para por óleo no chumaço. Tem vez que o eixo, no atrito com o chumaço, chega a fumacear e levantar labareda. Aí o carreiro pega os cachos de mamona verde e limpa a cantadeira, que é a área do chumaço ajustada no eixo.

Foto de um eixo montado com suas rodas. Pode-se notar a posição exata dos chumaços em cima das cantadeiras.

Vista lateral do conjunto, podendo-se ver o agulhamento, os gatos, as cavilhas prendendo a roda, as ocas e um chumaço. Estas lindas rodas são de jacarandá da Bahia e o eixo é de cabreúva.Notar a perpendicularidade entre os meiões, de tal forma que ao andar o carro, e por segurança, um dos dois meiões está sempre em contato com o chão.

A canga tem quatro canzis, dois de cada lado, servindo um par para cada boi. É feita de cabreúva, açoita-cavalo, assapuva ou amendoim, algumas vezes revestida de couro cru. A de cabeçalho é mais pesada, pois segura os bois de coice, os primeiros depois do carro. Os canzis são feitos de peroba, guatambu ou alecrim, têm de ser lisos e bem volteados, para não machucar os bois. Os do cabeçalho têm de ser volteados juntamente com a canga, para o boi poder segurar o carro e parar, quando for preciso. A parte grossa da canga é a barriga, nela encontra-se o tamoeiro de couro cru torcido em várias voltas, que serve para a passagem do cabeçalho, seguro pela chaveta. A orelha é uma haste de madeira atravessada perto da chaveta e também serve para segurar o cabeçalho.

Tipos de cangas.
a- canga de coice b- canga de meio e c - canga de guia.
1- canzil 2- fura da canga 3- tamoeiro e 4- brocha.

Canga de coice ou cabeçalho, mais reforçada. Notar os canzis de madeira, as brochas e o tamoeiro central, peças de couro trançado.

Canga de meio ou guia, mais delgada, com as mesmas peças de madeira e couro.

Na traseira do carro, há o argolão de ferro, que serve para engatar os bois para puxar o carro para trás, quando encalha, e para encangar os bois de retranca, quando a descida é muito forte. Nela se amarra a tiradeira, ou cambão, quando se tem que "depenar uma coruja", que é como o povo chama tirar o carro do atoleiro. O cambão é um varejão forte e reto feito de cabreúva, assapuva, guatambu ou peroba. Tem na parte da frente uma chaveta e, na de trás, o rabo, de couro cru, que se engata na chaveta da junta de bois anterior. Quanto mais bois na canga, mais cambões são usados. Também se usa rabo de corrente e gancho de ferro, mas o certo é o couro cru.

A mesa, sem os fueiros, de pouco serve. Fueiro é haste reta e forte, de carrapateiro, guaritá, assapuva ou peroba, que se encaixa nos furos dos lados do assoalho, em geral cinco de cada lado, dois na frente e dois no cadião. Seguram a carga e escoram a esteira, um trançado de taquara de mais ou menos um metro de altura, que fica em pé e tem abertura no fundo do carro. Fecha com atilhos de couro. Para proteger a carga, usa-se couro curtido inteiro de boi . Quatro deles cobrem um carro.

1- tiradeira 2- chaveta e 3- rabo ou rabada. 4- vara de ferrão 5- ajoujo e 6- azeiteira e o pincel.

Das tralhas miúdas, temos o ajoujo, que serve para amarrar os chifres de um boi ao outro, formando a junta. Também serve para aquietar menino danado... É feito de couro cru, tem mais ou menos duas braças de comprido. Os tamoeiros também são de couro cru torcido e volteiam as cangas, servindo para travar a frente dos cambões ou tiradeiras pelas chavetas. Temos também a brocha, que serve para amarrar os canzis por baixo do pescoço, para segurar o boi e evitar que a canga solte do cangote. Mede mais ou menos um palmo e é feita de couro cru torcido.

Há a escora, de madeira, que vai um palmo acima da canga e dois palmos e meio abaixo, servindo para apoiar o carro, quando parado, aliviando o peso nos bois de coice, ou para manter o cabeçalho na horizontal, quando desatrelado. Cabeçalho no chão dá azar.

Finalmente, existe a vara de ferrão, de carrapateiro e até de peroba, na frente leva ponteiro de ferro que, antes da ponta, tem furo com duas ou três argolas de ferro, que chacoalham e, assim, o boi já sabe que lá vem cutucão e desamua, ou arranca mais. Carreiro bom não espeta boi de tirar sangue. Só ponteia, depois o bicho se mexe só pelo barulho das argolas. Quando tem muitas juntas, costuma-se amarrar na ponta do ferrão uma tira comprida de couro, para alcançar e deixar os bois lá da frente mais espertos.

As Madeiras
As madeiras empregadas para fabricar carros de boi são, em geral, as seguintes(5):

Mesa: sucupira, óleo vermelho (cabreúva), ipê, tabaco, garapa cipó,
jacarandá da Bahia.

Chedas: sucupira e as demais usadas na mesa.

Eixo: óleo vermelho.

Arreias: roxinho, óleo.

Tornos ou pinos: roxinho, óleo.

Fueiros: tambu, garapa, pitangueira, guamirim,calcanhar de cotia.

Cavilha: roxinho ou óleo vermelho.

Pigarro: óleo vermelho ou sucupira.

Cocões: óleo vermelho.

Chumaço: canela sebosa, leiteiro, figueira sangra dágua.

Canga: bico de pato, caviúna, sapuva(saperetê), jacarandazinho
da várzea(sapuvão) e jacarandá.

Canzil: laranjeira da mata virgem, roxinho, peroba, ipê,
laranjeira de casa, óleo pardo, pitangueira e pequiá.


Tamanho das peças do carro de boi

Mesa: comprimento 3 metros por 1,30 de largura.

Cabeçalho: 4,5 a 5 metros.

Eixo: 1,65m de comprimento e 22 centímetros de espessura
ou 9 polegadas.

Roda: 1,20m de altura.

Fueiros: 1,20 a 1,50m de comprimento.

Nota: Estas medidas variam de acordo com os fabricantes
e o tamanho do carro.
Textos e fotos extraídos do site:http://www.widesoft.com.br/users/pcastro1/carrodeboi.htm de Paulo Roberto Moura Castro.

domingo, 1 de janeiro de 2012

Cacatinha e Inhana, uma verdadeira história de amor

 

 

Francisco dos Santos nasceu em Araraquara-SP no dia 20/04/1919 e faleceu em São José do Rio Preto-SP no dia 14/03/1996; e Ana Eufrosina da Silva Santos nasceu em Araras-SP no dia 28/03/1923 e faleceu em São Paulo-SP no dia 11/06/1981: primeira Dupla Caipira formada por marido e mulher que, por sinal, “nasceram um pro outro”, como se diz popularmente.

Francisco dos Santos nasceu na fazenda Cafelândia. Seu pai era carroceiro e tocava um pouco de sanfona. Órfão de pai aos 5 anos; sua mãe se casou novamente e ela deu à luz 5 filhos no primeiro casamento e 6 no segundo.

Seu pseudônimo surgiu muito antes de sonhar com a carreira artística: aos 10 anos de idade, mudou-se para Marília-SP (na época, Alto Cafezal) e mais tarde mudou-se para Garça-SP; nessa cidade, cursando a Escola Primária, foi onde ganhou o apelido de “Cascatinha”, pois gostava de "cabular" aulas e ir tomar banho numa pequena cascata que por ali existia.

Voltou para Marília algum tempo depois onde trabalhou como servente de pedreiro. Foi admitido na banda local, como percussionista (tocava caixa). Com seu apurado ouvido musical, assobiava os sucessos que ouvia no rádio e o Mestre-da-Banda os escrevia na partitura.

Como baterista também animava os bailes da cidade num conjunto que era formado por músicos dessa banda. Nessa época, Cascatinha contava 18 anos de idade e passou por Marília o Circo Nova Iorque, que o admitiu como baterista. E aos poucos, foi revelando suas qualidades de intérprete, cantando Sambas e Serenatas e também fazendo dupla com o paraibano Natalício Fermino dos Santos, o Chopp, que também era trapezista. Resolveu também aprender a tocar violão.

Há quem afirme inclusive que o apelido de Cascatinha se deve à Cerveja Cascatinha (apreciada por Noel Rosa, entre outros) que existia na época em que Francisco dos Santos cantava em parceria com o Chopp.

E “parece que o destino estava traçado”: no ano de 1941, o Circo Nova Iorque passou pela cidade de Araras e, nessa cidade, Cascatinha conheceu uma jovem muito bonita nascida no lugar: seu nome era Ana Eufrosina da Silva, que cantava juntamente com sua irmã Maria das Dores no Jazz-Band de Araras. Seus dois irmãos, José do Patrocínio e Luiz Gonzaga (apenas coincidência de nome com o excelente Rei do Baião) também participavam do conjunto: um na bateria e outro no contrabaixo.
"Quando vi aquele mulato tocando violão, me apaixonei..."

Inhana rompeu um noivado de mais de um ano e seguiu com Cascatinha! Lógico que foi “contra a vontade dos pais, já que Artista de Circo, no conceito deles, "tinha um amor em cada praça", etc. e tal...” E, do namoro para o casamento (em 25/09/1941), passaram-se apenas 5 meses. De qualquer forma, o medo da família de Inhana não se justificou, pois o casamento foi sólido e feliz, durou 40 anos e só terminou com o falecimento da Inhana em 1981. No casamento, tiveram um filho adotivo chamado Marcelo José.

Em 1942, aventurando-se no Rio de Janeiro, Ana Eufrosina, Cascatinha e Chopp formaram o Trio Esmeralda, que cantava em circos e também em programas de calouros, os quais eram apresentados por Paulo Gracindo e Ary Barroso, entre outros. Ganharam alguns prêmios em dinheiro, muito dos quais eram “bem vindos” na situação em que viviam.
E a conceituada dupla nasceu no mesmo ano de 1942, após um desentendimento com Chopp em Volta Redonda-RJ, onde o trio fazia algumas apresentações. Cascatinha seguiu em frente com Ana, “rebatizando-a” de “Inhana”, uma corruptela de "Sinhá Ana", como são comumente chamadas as “Anas” no nosso interior.

Ainda em Volta Redonda foram contratados pelo Circo Estrela Dalva e, entre diversas excursões pelo Brasil, atuaram também em outros circos e também no Parque de Diversões Imperial. Em 1947, quando o parque passou por Bauru-SP, Cascatinha e Inhana assinaram um contrato de um ano com a Rádio Clube de Bauru. Nessa ocasião, cansados que estavam de tantas andanças, acharam que “seria a hora de dar uma pausa”.

E, em 1948, um novo rumo: a capital paulista. Contratados pela Rádio América, foram morar num "quarto e cozinha" no Ipiranga. Dois anos depois, foram para a Rádio Record, onde permaneceram por 12 anos.

Em 1951, Raul Torres, (que Cascatinha e Inhana já conheciam desde os tempos em que tentavam a sorte no Rio de Janeiro), juntamente com Florêncio e Rielli, tinha um show marcado na cidade de Jundiaí; como Raul havia adoecido, sugeriu que Cascatinha e Inhana o substituíssem. E, nesse show, apesar do cachê razoável oferecido e que havia chegado "em boa hora", Cascatinha e Inhana interpretariam somente a célebre "Ave-Maria no Morro" (Herivelto Martins); no entanto, foram aplaudidos de tal modo que só conseguiram sair do palco após cantar mais uma meia dúzia de outros sucessos!

E nesse mesmo ano, Raul Torres, quando soube do sucesso do casal em Jundiaí, convidou Inhana para fazer o acompanhamento vocal nas gravações das Modas de Viola "Rolinha Correio" (Raul Torres e Sebastião Teixeira) e "Pomba do Mato" (Raul Torres), na Todamérica, gravadora na qual Raul tinha boa influência. E, já no dia seguinte, o primeiro disco foi gravado: um 78 RPM contendo “La Paloma” (S. Yradier – Versão: Pedro Almeida) e “Fronteiriça” (José Fortuna), lançado em julho de 1951.
José Fortuna, por sinal, era o compositor preferido de Cascatinha.

No quinto disco, também na Todamérica, o maior sucesso da carreira da dupla: as duas conhecidíssimas versões de José Fortuna para as Guarânias Paraguaias “Índia” (M. Ortiz Guerrero e José Asunción Flores - Versão: José Fortuna) (Lado A) e “Meu Primeiro Amor (Lejania)” (Hermínio Giménez - Versão: José Fortuna e Pinheirinho Junior) (Lado B), disco esse que atingiu vendagem “astronômica” superior a 2.500.000 cópias!! Marco, na época, pois foi a primeira vez que um disco de Música Sertaneja atingiu tal vendagem. Um fato inusitado, diga-se de passagem, pois, nos anos 50, poucas pessoas tinham aparelhos fonográficos em casa.

Tal o sucesso dos dois lados desse 78 RPM, que veio também o convite para participarem do filme, “Carnaval em Lá Maior” de Adhemar Gonzaga, em 1955, filme no qual Cascatinha e Inhana interpretaram os dois sucessos.

E esse disco demorou a sair, porque o diretor artístico da Todamérica (Hernani Dantas) não o queria gravar pois não acreditava que fosse fazer sucesso. Além disso, ele também argumentava que a versão original em castelhano era conhecida demais, para surgir de repente com uma nova letra diferente.

Na verdade, Hernani Dantas acabou cedendo aos pedidos insistentes dos ouvintes que escutavam as duas guarânias que o casal cantava ao vivo com freqüência na Rádio Record e que procuravam inutilmente os discos nas lojas, as quais, por sua vez, os encomendavam à gravadora!

"Índia" e “Meu Primeiro Amor” também foram regravadas ao longo do tempo por grandes nomes da nossa Boa Música Brasileira, tais como Dilermando Reis (em solo de violão), Carlos Lombardi, Gal Costa, Nara Leão e Taiguara, apenas para citar alguns.

Calcula-se que a vendagem de "Índia" e "Meu Primeiro Amor" tanto em 78 RPM, como em LP e CD, pode ter faturado algo como o equivalente à vendagem dos discos da dupla "Chitãozinho e Xororó" no auge da década de 80.

Em 1954, receberam Medalha de Ouro da Revista "Equipe" e passaram a ser conhecidos como "Os Sabiás do Sertão", pelos recursos vocais e agradáveis nuances desenvolvidos pela dupla. A voz soprano de Inhana é considerada uma das vozes femininas mais perfeitas do Brasil.

O casal "terçava" as vozes como fazem as Duplas Caipiras, porém, a beleza em particular do timbre das duas vozes, aliada à facilidade com que Inhana conseguia "passear pelas notas agudas", mais a sofisticação da "segunda voz" do Cascatinha e os arranjos instrumentais bem elaborados ("Serra da Boa Esperança" que o diga, conforme veremos logo abaixo) deram a Cascatinha e Inhana uma "liberdade incomum" para escolha do repertório, por sinal, um dos mais bem escolhidos, não só na música caipira, mas na boa música brasileira, de um modo geral.

Foi uma carreira de 34 discos 78 RPM (com 68 músicas) e cerca de 30 LP’s, tanto na Todamérica como também na Continental. E não foram apenas versões de guarânias paraguaias: Cascatinha e Inhana também gravaram obras de grandes compositores brasileiros tais como “Guacyra” (Hekel Tavares e Joracy Camargo), “Quero Beijar-te as Mãos” (Lourival Faissal e Arsênio de Carvalho), "O Menino e o Circo" (Ely Camargo), “Flor do Cafezal” (Luiz Carlos Paraná), “Chuá, Chuá” (Pedro Sá Pereira, Marques Porto e Ary Pavão), “Colcha de Retalhos” (Raul Torres), e “Serra da Boa Esperança” (Lamartine Babo) – esta com um excelente acompanhamento de piano, orquestra e violinos em “Pizzicatti”, gravada na Chantecler/Continental!! Enfim, um repertório riquíssimo em canções de bastante lirismo, toadas, baiões, xotes, valsas, canções rancheiras e tangos brejeiros, além das famosas versões de músicas latinas, principalmente as já mencionadas guarânias paraguaias.

A dupla ganhou também o Troféu Roquete Pinto em 1951, 1953 e 1954, além de seis Discos de Ouro que ganharam por vendagens de mais de 100.000 exemplares de seus discos.
Cascatinha também ocupou durante um ano, o cargo de diretor artístico da gravadora Todamérica; na ocasião, lançou duplas famosas, como Nonô e Naná e Zilo e Zalo.

Em 1978, no Teatro Alfredo Mesquita, em São Paulo, levam o espetáculo “Índia”, de bastante repercussão, contando sua trajetória artística, uma brilhante carreira e um maravilhoso casamento de 40 anos, que só teve fim com o falecimento de Inhana no dia 11 de junho de 1981, véspera do Dia dos Namorados: Inhana passou mal em um salão de beleza, quando se preparava para comemorar a data. E faleceu no Hospital Leão XIII em São Paulo.

Cascatinha continuou a se apresentar sozinho em Votuporanga-SP e depois em São José do Rio Preto-SP, onde veio a falecer em 1996, na Beneficência Portuguesa, vítima de cirrose hepática. Viu lançados pela Revivendo dois CDs: “Índia - Volume 1” e “Meu Primeiro Amor - Volume 2”, os quais reuniram 38 músicas de seus antigos discos de 78 RPM. A excelente gravadora paranaense também produziu os volumes 3, 4 e 5 (capa dos cinco CD's à direita) no mesmo estilo dos dois primeiros, formando um conjunto bastante representativo da obra de Cascatinha e Inhana, além do excelente encarte explicativo e dados fiéis do disco original, como acontece em todos os CD's da Revivendo.

Cascatinha também chegou a lançar no ano seguinte ao falecimento de Inhana o LP "Canto com Saudade". E também participou de uma gravação de “Flor do Cafezal” (Luís Carlos Paraná) juntamente com Rolando Boldrin em 1982, pela RGE (hoje Som Livre).

Texto: Sandra Cristina Peripato do site www.recantocaipira.com.br

Fonte: www.boamusicaricardinho.com

Discografia site Recanto caipira

Fotos site Recanto Caipira